Passei uma tarde na Vendimia brasileira da melhor vinícola do mundo e entendi por que, para a VIK, falar de vinho também significa falar de arte, gastronomia, hospitalidade e das pessoas que se sentam ao redor da mesa
Sábado ensolarado, interior de São Paulo. Na entrada de uma fazenda em Araçoiaba da Serra, recebo um chapéu, um leque e uma taça de vinho. Começo pelo vinho, claro. La Piu Belle Rosé, bem gelado, servido naquela garrafa que sempre achei especialmente bonita, com um rótulo que parece ter sido pintado diretamente sobre o vidro.


O chapéu vai para a cabeça, o leque logo mostra sua utilidade e sigo com a taça nas mãos. Alguns metros adiante, o cheiro da comida preparada na brasa chega antes de qualquer prato. Músicos passam tocando entre as pessoas.


Garçons vestem aventais com o desenho da mesma garrafa que eu acabara de conhecer melhor. Olho ao redor e noto muito linho. Muito mesmo. Ninguém avisou, mas aparentemente todos recebemos o mesmo dress code imaginário para passar uma tarde no campo.

Estou na Fazenda Vista Verde para a segunda edição brasileira da Vendimia VIK. A festa nasceu no Chile para celebrar a colheita e, naquela tarde, reuniu 700 pessoas no Brasil. A VIK foi eleita, em 2025, a melhor vinícola do mundo pelo World’s 50 Best Vineyards. É uma credencial e tanto. Mas, conforme caminho pela fazenda, começo a achar que entendê-la exige olhar menos para os rankings e mais para o que acontece ao redor da taça.

O vinho está por toda parte, evidentemente, mas nunca sozinho. Está perto da comida, da arte, da música. E das pessoas. Entre uma estação gastronômica e outra, chefs trabalham diante dos convidados. Pablo Cáceres, chef executivo da Viña VIK, divide a tarde com Fih Fernandes, Rafa Gomes, Rafa Soares, Priscila Deus e Marina Lopes. O fogo permanece aceso, as garrafas continuam circulando e ninguém parece com muita pressa.

Talvez seja isso que mais se aproxime da ideia que fazemos de uma vindima mesmo estando a milhares de quilômetros dos vinhedos chilenos. Não se trata apenas de provar o que foi colhido. Trata-se de parar para celebrar que houve uma colheita.

Próximos capítulos
Em algum momento, desvio os olhos das mesas e observo melhor o que existe ao redor. Tratores, montes de areia, tapumes. É quando me lembro de que estou caminhando justamente pelo terreno onde será construído o primeiro hotel da VIK no Brasil.

Antes dos quartos, do lobby ou do restaurante, vieram as mesas, as garrafas abertas, a comida no fogo e a música atravessando a fazenda. O futuro hotel deverá ter cerca de 50 acomodações, vinhedos e experiências ligadas ao vinho. Na propriedade, o projeto prevê ainda museu a céu aberto, centro equestre e piscina de ondas.
Ainda não há uvas para colher ali, tampouco hóspedes chegando com malas. Naquele sábado, porém, já havia gente brindando. “Não temos ainda nenhuma colheita, mas queremos celebrar a colheita que temos no Chile e lembrar todo o esforço que a gente tem feito lá”, disse Gastón Williams, CEO da VIK.

Mais tarde, entro para uma masterclass com Cristián Vallejo, enólogo-chefe da VIK, que nos apresenta três rótulos: VIK 100, Stone VIK e La Piu Belle Champagne. “Para mim, o vinho é como um livro. As uvas e os sentidos são os capítulos”, diz. Anoto.

Pouco depois, outra frase vai para o caderno: “Se o vinho é arte, tem dois autores: a natureza e o enólogo.”

Quando cheguei à Fazenda Vista Verde, algumas horas antes, recebi um chapéu, um leque e uma taça de rosé. No fim da tarde, o vinho já tinha acabado, o leque havia trabalhado bastante e o chapéu carregava as marcas de algumas horas sob o sol.
Dias depois, quando penso na Vendimia, o vinho aparece acompanhado de tudo o que vive ao redor dele. Lembro do rosé gelado da chegada, dos rótulos provados na masterclass, mas também do cheiro de fogo, de uma música surgindo no meio das mesas e de uma frase que corri para anotar.
Cristián tinha razão. Um vinho pode mesmo ser como um livro. Naquele sábado, li alguns capítulos.

