Flash Charging da BYD estreia nas Américas pelo Brasil, tem o Z9 GT como primeiro modelo compatível e plano de mil pontos até 2027
O tempo de parada sempre foi o argumento mais usado contra o carro elétrico. A BYD tenta encerrar essa discussão com o Flash Charging, sistema de recarga que entrou em operação comercial no Brasil nesta semana, na concessionária Denza de Brasília, administrada pelo Grupo Saga. Segundo a fabricante, o equipamento alcança 1.500 kW de potência e devolve até 400 quilômetros de autonomia em cinco minutos.
A primeira recarga coube ao piloto Felipe Massa. Pelos números divulgados, a bateria de um veículo preparado para a tecnologia sai de 10% e chega a 70% nesses cinco minutos, e a 97% em nove. É um intervalo próximo ao de uma parada em posto de combustível, comparação que a própria empresa faz questão de repetir. A BYD afirma ainda que a potência equivale a cerca de três vezes a dos carregadores mais rápidos em funcionamento no país até aqui.

Por enquanto, esse desempenho vale para um único carro. O Denza Z9 GT, da marca premium do grupo chinês, será o primeiro modelo vendido no Brasil capaz de receber essa carga. O avanço da rede depende da chegada de outros veículos aptos a potências mais altas.
O carregador trabalha acoplado a um sistema de armazenamento que acumula eletricidade aos poucos e a libera de uma vez no momento da recarga. Com isso, o equipamento pode ser instalado em pontos onde a rede elétrica não sustentaria sozinha uma demanda desse porte, o que pesa bastante em um país de infraestrutura desigual.

Mil carregadores até 2027
A unidade de Brasília é a primeira de um plano que prevê mil carregadores ultrarrápidos em operação no Brasil até o fim do próximo ano. “Durante muito tempo, o tempo de recarga foi uma das principais dúvidas de quem considera migrar para um carro elétrico. O Flash Charging muda essa referência“, diz Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil e head comercial e de marketing da BYD Auto.
A BYD informa manter cerca de 10 mil estações com a tecnologia na China, e o Brasil é o primeiro país das Américas a recebê-la comercialmente. A meta para 2027 é ambiciosa para um mercado em que a recarga rápida ainda se concentra nas grandes capitais e em poucos corredores rodoviários. O ritmo das próximas instalações dirá se os cinco minutos de Brasília se tornam rotina ou permanecem como vitrine.

