Em entrevista, executivo detalha a vertical de luxo da plataforma, onde grifes mantêm lojas oficiais e definem os próprios preços
Uma vez por ano, a Privalia reúne em São Paulo as empresas que vendem em seu site para um dia de palestras e painéis sobre os rumos do varejo. O formato do encontro já indica de que lado a companhia se posiciona, e Fernando Boscolo faz questão de dizer isso com todas as letras. “Entre todas as plataformas, somos a única que trabalha com marcas e tem nelas o seu principal cliente, então o nosso cuidado é muito grande“, afirmou o CEO ao Info Luxo durante a terceira edição do Privalia Day.
Esse cuidado, segundo ele, vale em especial para o alto padrão. “Temos uma relação muito próxima com as marcas de luxo“, disse. O Brandsplace é o marketplace lançado em 2023, no qual as marcas vendem diretamente e controlam portfólio, preços e operação. Para o segmento de luxo, historicamente avesso a remarcações e a ambientes de desconto, a autonomia sobre o preço é o ponto central da proposta.
“Com o Brandsplace, trouxemos outras possibilidades. Oferecemos às marcas de luxo um espaço na nossa vertical de luxo para que coloquem ali as suas lojas oficiais e vendam os seus produtos ao preço que quiserem”, contou Boscolo. O argumento para convencê-las é a audiência. “Estamos oferecendo todo o tráfego de clientes super qualificados que entram na Privalia todos os dias em busca das melhores marcas do mercado.” A companhia informa receber cerca de 500 mil visitas diárias e pretende que o marketplace responda por 20% do faturamento até o fim de 2026.

O Privalia Day funciona como extensão dessa política de proximidade. “É um momento muito especial para nós. Reunimos todas as nossas marcas parceiras para falar de inovação, tendências de mercado, comportamento do consumidor e casos de sucesso de quem trabalha diretamente com a gente”, descreveu o executivo. Com o tema “Varejo em Movimento”, a programação anunciada trazia o antropólogo Michel Alcoforado, Juliano Kimura, da AI Brasil, e representantes de Natura, Estée Lauder, Tommy Hilfiger, Aramis e Hering, em debates sobre disputa por atenção, percepção de valor, inteligência artificial e logística.
Ao longo das edições, o encontro ganhou uma função que a empresa não havia previsto. “Descobrimos essa missão de ser um agente de conexão entre as marcas, para que elas troquem experiências, dificuldades e casos de sucesso, e para que prosperem“, disse Boscolo.
A edição deste ano coincidiu com os 18 anos da operação brasileira e apresentou o My Pri Store, programa de afiliados em que os clientes montam seleções próprias de produtos, compartilham com suas redes e recebem comissão pelas vendas geradas. Cada participante conta com uma vitrine dentro do aplicativo, links personalizados e um painel para acompanhar o desempenho das indicações. O programa opera somente com itens do Brandsplace, o que reforça o canal em que as marcas vendem por conta própria. A projeção é que o número de afiliados cresça em torno de 50% ao mês na fase inicial.
Hoje com mais de 600 marcas e 20 milhões de usuários cadastrados, a Privalia ainda guarda parte do público do primeiro ano no país. Dos consumidores que se cadastraram em 2008, 998 continuam comprando. Resta ver quantas grifes aceitarão dividir o endereço com as ofertas que tornaram a plataforma conhecida.

