Bianca Senna tem um sobrenome que dispensa apresentações. Seu tio, Ayrton Senna, foi muito mais do que um piloto de Fórmula 1, foi uma figura admirada por sua competência, resiliência e excelência. Há quem considere, até hoje, Ayrton o maior piloto que já existiu na história da categoria mais importante do automobilismo mundial.
Atualmente, mais de 30 após sua morte, Bianca Senna é a responsável pela Senna Brands, que tem como objetivo resgatar e ressignificar a história e os valores do piloto brasileiro para todos os públicos. Confira, a seguir, uma entrevista exclusiva com a “guardião do legado de Ayrton Senna”.
Bianca, para começar, qual o papel que você desempenha hoje na construção e preservação do legado de Ayrton Senna?
O meu trabalho é fazer com que as novas gerações possam conhecer quem foi o Ayrton, a sua história e os seus valores. E, também, fazer com que a marca seja perpetuada pelos valores do Ayrton e que continue inspirando as pessoas que usam o relógio ou qualquer um dos nossos produtos. Que isso simbolize a inspiração para buscar sonhos e nunca desistir.
Quais têm sido os principais desafios e oportunidades na gestão de uma marca tão icônica como a Senna?
Acredito que o principal privilégio é realmente trabalhar com essa marca e com a imagem do Ayrton. É muito grande o amor das pessoas pelo Ayrton. É contagiante. Não importa o que você precisa, todo mundo quer fazer parte, todo mundo quer ajudar. Então, é muito legal esse sentimento que as pessoas tem Ayrton. É maravilhoso. A parte mais desafiadora, por outro lado, é gerir a marca e continuar se reinventando sem mudar a essência e a história. Somos uma espécie de ‘guardiões do legado do Ayrton’. E ser guardião não é simples. Porque é preciso ter a postura certa, ter os valores certos, saber inovar com parcimônia. Então, acredito que está muito relacionado a isso: como nos reinventamos e inovamos mantendo o respeito pelos valores do Ayrton.
Como surgiu a parceria com a TAG Heuer e o que motivou essa associação com o universo da relojoaria de luxo?
A parceria com a TAG Heuer começou em 1988 com o próprio Ayrton. A TAG Heuer patrocinava a McLaren na época e teve início uma relação muito próxima com o Ayrton. Inclusive, o relógio que a gente sempre vê nas campanhas, foi desenvolvido junto com o próprio Ayrton. Após a morte dele, TAG continuou como parceira do Instituto e da Senna Brands. É uma parceria que tem uma conexão muito forte do ponto de vista de alinhamento e de posicionamento.
Quais impactos essa colaboração trouxe em termos de negócios, branding e conexão com os públicos da marca Senna e TAG Heuer?
Os relógios são símbolos de superação, de excelência, de busca pelos sonhos. Acredito que essa mensagem é muito relevante e, como um produto de luxo, isso fica ainda mais evidente. É verdadeiramente uma parceria de celebração, de conquista.
Qual é o perfil do consumidor dos relógios?
Temos consumidores com vários perfis. Existe aquele que é fã há muito tempo e quer continuar colecionando os produtos da marca. Tem também, os consumidores jovens, das novas gerações. Muitos conheceram o Ayrton através da série de televisão e se tornaram fás, querem também ter esse símbolo com eles.
E quais são os critérios adotados para garantir que parcerias como essa respeitem e ampliem o DNA da marca Senna sem descaracterizá-la?
Temos muitos critérios como qualidade, inovação e design. Mas, temos também critérios de valores. Não fazemos parcerias com marcas ou produtos que não temos alinhamento de valores. Às vezes, surge uma oportunidade muito legal, mas que não combina com a marca. E dizemos não. Nunca fazemos nada por dinheiro. O retorno financeiro é uma consequência de um bom relacionamento e de uma boa parceria.
Você ou alguém da família Senna participou do processo criativo na concepção desse relógio?
Sim, eu participo de todos os envolvimentos desde o começo, desde que eu comecei a trabalhar com a marca. É muito gostoso trabalhar com a TAG, com os designers deles, com os criativos deles. É algo que eu gosto muito de fazer.
O entretenimento tem ganhado força como ferramenta no mercado de luxo. Como a série Senna contribuiu para reforçar o desejo e o valor simbólico da marca? Já é possível medir esse impacto de alguma forma concreta?
O nosso objetivo com a série era contar a história do Ayrton, mas, mais do que isso, a ideia era que quando o expectador terminasse de assistir, ficasse uma vontade, uma inspiração para lutar pelos sonhos e não desistir. E a gente conseguiu isso. Na minha opinião, a série foi uma excelente ferramenta para conquistarmos novas gerações através de um storytelling muito forte e muito verdadeiro.
Como você enxerga a evolução da marca Senna ao longo dos anos, especialmente sob o olhar de uma geração que conhece o Ayrton mais como ícone cultural do que como atleta em atividade?
Se olharmos em retrospecto, vamos perceber que os valores e a história do Ayrton são atemporais, porque inspiram as pessoas. Isso continua acontecendo e vamos ressignificando, trazendo outras formas de contar essa história, de promover essa inspiração. Além da série, também estamos no Roblox, no Minecraft, e vamos entrar no Fortnite. Então, temos sempre que pensar como é que a gente pode trazer de novo essa história e essa inspiração de formas diferentes para esse novo público.
E, para finalizar, olhando para o futuro, qual legado você mais deseja que a marca Senna deixe, não só no universo do automobilismo e da relojoaria, mas, também, na cultura e no coração das pessoas ao redor do mundo?
É a vontade de jamais desistir dos seus sonhos. Isso, para mim, é o mais importante de tudo. Se as pessoas puderem continuar vendo esse símbolo, seja um relógio, seja um carro, seja uma experiência, e continuar se conectando com esse herói interior que elas têm, para mim, a gente fez o nosso trabalho muito bem. É isso.


