Empresas de couro, malharia e cashmere apresentaram coleções a compradores locais, enquanto a agência que representa o país europeu também busca levar produtos daqui para a Europa
Quando se fala em moda italiana no Brasil, a imagem que costuma vir à mente é a de peças importadas ocupando vitrines de luxo. A Agência ICE quer mudar essa equação. Ao trazer oito empresas do país para o Pavilhão Italiano, presença inédita no Contemporâneo Showroom 2026, a agência propõe uma relação de mão dupla, em que os produtos brasileiros também cheguem à Itália e em que marcas dos dois países desenvolvam coleções juntas.
A Agência ICE é o braço do governo italiano dedicado a internacionalizar as empresas do país, conhecida no exterior como Italian Trade Agency (ITA), com papel semelhante ao da Apex-Brasil por aqui. “Queremos fomentar parcerias entre a Itália e o Brasil depois de 25 anos de afastamento. A ideia é que os produtos brasileiros cheguem à Itália, que os italianos cheguem ao Brasil e que os dois países também produzam juntos”, afirma Milena Del Grosso, diretora da Agência ICE.

Uma ponte de mão dupla
No Brasil, a agência atua por meio do Departamento para a Promoção de Intercâmbios da Embaixada da Itália, que organizou o pavilhão em parceria com entidades setoriais como Confindustria Moda, Confindustria Accessori Moda, Assocalzaturifici e Assopellettieri. Para Luca Sburlati, presidente da Confindustria Moda, os dois países se complementam. “A expertise, a qualidade e a inovação das nossas empresas podem favorecer parcerias industriais. Ao mesmo tempo, a riqueza de matérias-primas e produtos semielaborados disponíveis no Brasil, do algodão à seda, oferece oportunidades interessantes de fornecimento de insumos”, diz Sburlati.
O Info Luxo esteve no brunch que deu o tom dessa aproximação, oferecido pela ITA, pelo Preta Nascimento Showroom e por Amir Slama na Slama Lab. Ter um estilista brasileiro como anfitrião de marcas italianas traduz bem o espírito da iniciativa, pensada como troca entre dois mercados. Entre uma conversa e outra com os representantes das marcas, ficava evidente o interesse em entender o consumidor brasileiro e o funcionamento do varejo local.
O que cada marca traz para o mercado brasileiro
O couro chega em duas leituras. A Artico, criada em 1979 pela família Roncarati, produz na Itália jaquetas e casacos de couro e pele de carneiro sob demanda, numa lógica próxima do slow fashion. A toscana Cuoieria Fiorentina, de 1978, oferece bolsas, carteiras e acessórios de desenho funcional, apoiados na tradição artesanal de sua região.


A malharia é representada pela Morgano, do Vêneto, que desde 1969 trabalha lã merino, cashmere e algodão em peças masculinas e femininas, e pela Rocco Ragni, da Úmbria, que tem no cashmere e na qualidade dos fios sua assinatura. Num país de clima quente como o Brasil, essas marcas encontram espaço sobretudo em peças leves e em compradores atentos ao inverno do Sul e às viagens internacionais de seus clientes.


O vestuário feminino aparece com a Daniele Callegari, de Rimini, conhecida pelo romantismo, pelas estampas exclusivas e pelas criações sob medida, com a Suprema, também do Vêneto, e suas coleções sazonais, e com a milanesa Barbara di Davide, que valoriza a individualidade e processos produtivos mais responsáveis.



Completa o grupo a Toma Italian Brands, voltada ao desenvolvimento, à produção e à distribuição de coleções para diferentes mercados, perfil que a torna uma interlocutora natural para as parcerias que a Itália quer construir por aqui.


