Relógios resgatam a caixa apresentada ao público civil em 1993, agora com calibre automático de 72 horas de reserva e resistência a 500 metros de profundidade
Em setembro de 1993, a bordo do contratorpedeiro italiano Durand de la Penne, a Panerai mostrou pela primeira vez ao público civil os relógios que até então produzia sob sigilo para a Marinha da Itália. Entre eles estavam o Luminor Ref. 5218-201/A e o Luminor Marina Militare Ref. 5218-202/A, donos de uma caixa de 44 mm que se tornaria a assinatura visual da casa fundada em Florença em 1860. Mais de três décadas depois, esse desenho volta ao catálogo em uma medida inédita para ele, 42 mm, nas referências PAM01710, PAM01711 e PAM01714.
A redução de dois milímetros tem destino declarado. A marca fala em alcançar um público mais jovem e pulsos de tamanhos variados, movimento coerente com um mercado que vem se afastando dos diâmetros generosos que ajudaram a construir a fama da própria Panerai. Vale lembrar que o modelo de 1993 já era fruto de um enxugamento, pois os 47 mm das peças militares haviam sido reduzidos para 44 mm na estreia comercial. Saíam as formas de almofada dos anos 1960 e entravam linhas angulosas, garras robustas e a ponte de proteção da coroa integrada ao perfil da caixa, elementos que a nova geração mantém.

“O design distinto da caixa Luminor dos anos 90 apresentou a Panerai ao mundo civil, impulsionando rapidamente sua fama e consolidando seu renome internacional”, afirma Alessandro Ficarelli, diretor de Marketing e Patrimônio da marca, que descreve os lançamentos como instrumentos contemporâneos voltados para o desempenho.
Desenho de arquivo, mecânica atual
O calibre escolhido é o P.980, automático, com três dias de reserva de marcha, frequência de 28.800 alternâncias por hora e apenas 4,2 mm de espessura. Ele traz parada de segundos, recurso que interrompe o ponteiro quando a coroa é puxada e que remete à sincronização exigida nas operações de mergulho militar. O acabamento escovado das pontes e a massa oscilante vazada com a inscrição “Officine Panerai” em azul ficam, porém, fora do alcance do olhar, já que o fundo da caixa é fechado e rosqueado.

A estanqueidade chega a 50 bar, cerca de 500 metros, número de relógio de mergulho profissional em uma peça pensada para o dia a dia. Segundo a Panerai, cada unidade é testada na manufatura de Neuchâtel, em operação desde 2002, sob pressão 25% superior à garantida.
O mostrador segue a mesma lógica de arquivo. No lugar da construção em duas camadas pela qual a marca ficou conhecida, os índices são impressos sobre uma placa única e recebem Super-LumiNova por cima, o que cria um leve relevo nos numerais. É uma referência direta aos primeiros modelos civis, assim como a ausência de data e os pequenos segundos às 9 horas, criados para que os mergulhadores de combate confirmassem de imediato que o relógio estava funcionando.

O PAM01710 combina caixa de aço, mostrador preto fosco com numerais em tom marfim e pulseira de lona bege. O PAM01711 mantém o aço e adota verde no mostrador e na pulseira. Já o PAM01714 recebe revestimento DLC, camada à base de carbono que aumenta a resistência a riscos e corrosão e deixa a caixa em preto profundo, acompanhada de mostrador azul e lona da mesma cor. As pulseiras, desenvolvidas para a coleção, têm reforço de couro nos furos e podem ser trocadas por outras opções da marca com sistema de liberação rápida. Os três modelos estão disponíveis nas boutiques e no site da Panerai, hoje parte do grupo Richemont.

