Com 25 expositores, a Watch Time Experience reuniu colecionadores, marcas e apaixonados por alta relojoaria em dois dias de negócios e rodas de conversa em São Paulo
Um relógio mecânico costuma durar mais do que quem o comprou. Passa de pulso em pulso, acumula marcas de uso e ganha datas e nomes que não estão gravados na caixa. Foi em torno dessa ideia de permanência que a Watch Time organizou a Watch Time Experience, realizada em São Paulo. A feira celebrou os 25 anos da empresa, fundada em 2001 por José Mauro Racoski.

Em conversa com o Info Luxo, Racoski fala do evento em termos de herança. “Nosso objetivo é deixar um legado para o mercado brasileiro, para quem gosta dessas peças que marcam o tempo e também constroem relações, deixam histórias e legados para famílias e para a humanidade“, afirmou. A frase faz sentido vinda de quem passou mais de duas décadas abrindo caixas de relógios alheios. A Watch Time é hoje assistência autorizada de mais de 20 marcas, entre elas Omega, IWC, Jaeger-LeCoultre e Audemars Piguet, com operações em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e na Califórnia. “O relógio acompanha a evolução do mundo, e a Watch Time, nesses 25 anos, criou uma maneira de conectar pessoas e reunir apaixonados por relógios“, completou.


Com 25 expositores, a feira misturou venda de peças com rodas de conversa. Acompanhamos o talk com Thiago Nigro e Thiago Chiká, à frente da Acto. Chiká contou que criou o hábito de guardar lembranças de viagem comprando relógios, e que o primeiro que teve foi um Speedmaster Reduced. Guardou a peça por anos, vendeu e se arrependeu. A solução foi procurar um exemplar do mesmo ano de fabricação. “Relógios são feitos de história“, resumiu. A ligação com a relojoaria, segundo ele, vem de antes do negócio.

Nigro chegou por outra porta. Até pouco tempo, usava smartwatch e via o relógio como ferramenta. A virada veio com a compra de um Patek Philippe na Suíça, quando ainda nem se considerava consumidor do segmento. Depois vieram outros modelos que desejava e não tinha, e com eles uma mudança de significado. “Para mim, não é algo para ver a hora. É um troféu de uma conquista, um momento especial, uma homenagem a um amigo, o começo de um novo tempo“, disse. Ele também admitiu o constrangimento de quem entra num universo com código próprio. Ao usar peças mecânicas, passou a ouvir comentários de conhecedores que não entendia, e percebeu que precisava estudar. “Isso aqui é posicionamento“, afirmou, antes de arriscar um diagnóstico sobre o momento. Para ele, o brasileiro está mudando a relação que tem com o relógio.


Racoski vê o mesmo movimento pelo balcão da assistência técnica. “A relojoaria vive um momento de euforia. O relógio virou quebra-gelo, uma forma de introdução, de networking. Ele serve para aproximar pessoas“, disse ao Info Luxo.

Clube fechado e seguro para tirar a peça do cofre
A feira também serviu de vitrine para dois lançamentos da própria Watch Time, que ajudam a entender como a empresa pretende transformar essa euforia em negócio. O Watch Time Club é uma comunidade fechada, com número limitado de associados e anuidade de R$ 25 mil, que promete encontros, masterclasses, experiências gastronômicas e viagens à Suíça. Os detalhes completos foram apresentados logo após o evento, e as pré-inscrições estão abertas no site da Watch Time.

A segunda novidade é a Confi-Time, desenvolvida com a Confi Seguros para um hábito conhecido entre colecionadores, o de manter peças caras guardadas por medo de perda ou dano. A apólice cobre roubo, furto qualificado, quedas e acidentes, com reposição pelo valor de novo definido em contrato. É um produto pensado para quem quer usar o relógio no pulso e não apenas admirá-lo na gaveta, o que, para uma empresa que vive de manutenção, também significa mais peças circulando e, eventualmente, passando pela bancada.
Depois de dois dias de evento, a impressão é de um mercado que se organiza para receber uma nova geração de compradores. Resta saber se o interesse que hoje aparece nas conversas de palco vai se sustentar como cultura de colecionismo ou se ficará restrito ao código de status que Nigro descreveu com tanta franqueza.

