No escritório do Info Luxo, em encontro organizado por Manu Berger, a gerente regional falou sobre o Rosé feito por maceração e explicou por que a maison francesa evita madeira e açúcar
Camille Chevalier, gerente regional da Laurent-Perrier, chegou ao Brasil para uma agenda de relacionamento da marca, e a primeira parada foi o escritório do Info Luxo. No encontro organizado por Manu Berger, os convidados provaram o Brut e o Rosé enquanto a executiva contava a história de uma casa que, mais de dois séculos depois de sua fundação, continua sob o comando da mesma família. “Somos uma das últimas grandes casas familiares de Champagne”, disse.


Essa história começa em 1939. Naquele ano, Marie-Louise de Nonancourt, da família Lanson, comprou a Laurent-Perrier, maison fundada em 1812 em Tours-sur-Marne. Seu filho, Bernard de Nonancourt, assumiu depois a direção e mudou o rumo da casa. “Bernard deu à Laurent-Perrier reputação, imagem, qualidade e excelência. Era um visionário, que sabia juntar tradição e inovação”, contou Camille. Hoje a empresa é comandada pelas filhas dele, Alexandra e Stéphanie.

Da herança de Bernard, a executiva destaca o assemblage, a mistura de vinhos de diferentes vinhedos e anos. “Provamos cada vinho separadamente antes de decidir o blend. Isso exige tempo e muita gente, mas é assim que controlamos o estilo da casa”, revela. O Grand Siècle, rótulo de prestígio da maison, leva essa lógica ao extremo ao reunir três safras em uma só garrafa. “Cada ano tem suas qualidades, mas nenhum é perfeito sozinho. Com o assemblage, chegamos mais perto disso.”

Menos açúcar, mais frescor
O Chardonnay tem peso nos cortes da casa e responde por boa parte da leveza que se sente no Brut. A fermentação em aço inox também está a serviço da fruta. “Nunca usamos madeira. Só aço inox”, afirmou Camille. A dosagem completa o quadro. “Fomos os primeiros a criar um champagne sem adição de açúcar”, lembrou, em referência ao Ultra Brut, lançado em 1981. No Brut, a legislação permitiria mais açúcar, mas a casa preferiu ficar abaixo do limite. Por isso, no Brasil, o rótulo precisa ser classificado como extra brut. “O gosto está mudando. As pessoas procuram cada vez mais frescor no vinho.”

O Rosé, lançado em 1968, é feito 100% com Pinot Noir e por maceração, quando o mosto fica em contato com as cascas até ganhar cor e aroma. Antes disso, as uvas passam por uma mesa de seleção que separa apenas os melhores cachos. “Ficamos diante das cubas por até 72 horas, provando o vinho, até chegar aos aromas que queremos”, contou a executiva. A garrafa tem formato exclusivo da marca e ganha todo ano uma capa nova, criada em parceria com designers e artistas. Na sede, em Champagne, uma sala reúne essas edições ao lado de obras de arte, e as visitas são feitas apenas para convidados.
Na vitrine das grifes
Segundo a Aurora Fine Brands, que importa a marca para o Brasil há cerca de 25 anos, no país os maiores clientes são, de longe, as próprias marcas de luxo, que servem o champagne em eventos dentro de suas lojas. A casa também está em hotéis e restaurantes selecionados, e fica fora dos supermercados.

