Com público recorde de 25 mil visitantes, feira orientou as compras de importadores e distribuidores para o fim de ano e 2027
Quem passar por uma importadora, uma adega ou pela carta de um bom restaurante nas próximas semanas vai encontrar ali parte do que foi decidido nos pavilhões do Expo Center Norte. Passada a ProWine São Paulo, que em sua sétima edição recebeu mais de 25 mil visitantes e produtores de 43 países, os contratos firmados nos estandes começam a ganhar forma de pedidos, entregas e novos rótulos à venda, a tempo das festas de fim de ano e da virada para 2027.
“Antes, a gente fazia parte do calendário de eventos. Eu acho que hoje a gente faz parte do calendário de negócios dos vinhos vendidos no Brasil”, resume Malu Sevieri, diretora da feira.
A mudança aparece no perfil de quem circula pelos corredores. Importadores aproveitam a concentração de fornecedores para renegociar portfólios, distribuidores procuram rótulos capazes de abrir novos canais e compradores do varejo e da gastronomia saem com boa parte da oferta dos próximos meses encaminhada.
“O avanço está exatamente na qualidade dessas conexões. As negociações realizadas durante o evento ajudam a definir os produtos que estarão nas prateleiras brasileiras, nas cartas de restaurantes e nos catálogos de distribuidores nos próximos meses. Não se trata, portanto, apenas de apresentar novidades, mas de decidir quais delas efetivamente encontrarão espaço no mercado”, atesta Christian Burgos, diretor da feira.

Novas origens na disputa
O interesse estrangeiro pelo Brasil acompanha um movimento global de vinícolas que tentam depender menos dos mercados tradicionais. A denominação de origem espanhola Rueda, que quase triplicou o volume exportado ao país em 2025, fez ali sua maior ação comercial no Brasil.
A Alemanha chegou pela primeira vez com espaços coletivos e um recado claro aos importadores, o de que há muito a oferecer além do Riesling. Origens ainda raras por aqui, como Armênia, Geórgia e Moldávia, apostaram em compradores que buscam rótulos capazes de diferenciar uma carta, enquanto tequila, mezcal e destilados japoneses ampliaram o repertório de quem foi às compras.
Os grandes grupos também usam a feira para trabalhar o elo que mais pesa na venda de vinhos de alto padrão, que é quem recomenda a garrafa ao cliente final. A Moët Hennessy, divisão de vinhos e destilados da LVMH, manteve a presença que vem construindo nas últimas edições, e o Info Luxo acompanhou a degustação conduzida por François Hautekeur, que passou quase uma década na Maison Veuve Clicquot, em Reims, antes de assumir, em 2013, a missão de apresentar champanhes, vinhos e destilados do grupo a sommeliers, compradores e consumidores brasileiros.

A operação por trás da garrafa também entrou na pauta. Empresas de gestão, rastreabilidade e presença digital dividiram espaço com as vinícolas, entre elas a NSERIAL, com tecnologia de autenticação contra falsificações, tema sensível para quem trabalha com rótulos de preço elevado, e a P.move Smart Places, que conecta buscas online a vendas em lojas físicas. O próximo ciclo já tem data marcada, de 5 a 7 de outubro de 2027, novamente no Expo Center Norte, com credenciamento de visitantes a partir de março.

