Em uma experiência conduzida pelo enólogo François Hautekeur, convidados conheceram três rótulos emblemáticos da maison e revisitaram a história da mulher que redefiniu o destino do champagne
A promoção de encontros e relações genuínas entre as marcas e o público sempre ganhou destaque em minha trajetória profissional. O objetivo, entretanto, nunca foi apenas a aproximação. A ideia sempre esteve focada na criação de contextos nos quais esse encontro fizesse sentido, promovesse interação e engajamento e, principalmente, se transformasse em memória afetiva. Foi com esse espírito que elaboramos no meu escritório, em São Paulo, uma experiência exclusiva dedicada à Veuve Clicquot.
Muito além da degustação de sabores, a proposta tinha como meta criar um ambiente ideal para uma boa conversa sobre história, identidade e os atributos que fazem com que determinadas marcas mantenham a relevância mesmo com o passar dos anos ou dos séculos.
A apresentação foi brilhantemente conduzida pelo enólogo François Hautekeur que guiou as convidadas em uma jornada por três rótulos emblemáticos da maison. Ao mesmo tempo, o público foi levado a revisitar a trajetória da Veuve Clicquot e, inevitavelmente, a figura que deu origem a tudo isso: Barbe-Nicole Ponsardin, conhecida mundialmente como a viúva Clicquot.

Sempre reforcei, ao longo da minha trajetória, a importância das marcas de luxo em transformar biografia em legado. A história de Madame Clicquot, que assumiu o comando da empresa no início do século XIX e revolucionou as técnicas de produção do champagne, é um exemplo de saga que continua presente e relevante no imaginário da marca, sendo a base sólida para uma narrativa que une inovação, coragem e visão de longo prazo.

A degustação começou pelo Veuve Clicquot Yellow Label, rótulo que melhor traduz o estilo da maison. Seu destaque é a predominância da Pinot Noir, equilibrada pela elegância da Chardonnay e pelo toque frutado da Meunier. O resultado é um champagne que expressa frescor, força, riqueza aromática e sedosidade. François enfatizou um detalhe fundamental para essa consistência: a impressionante coleção de vinhos de reserva da Veuve Clicquot com cerca de quatrocentos rótulos envelhecidos por até trinta anos, que podem compor quase metade do blend final.

Em seguida, foi o momento de degustar o La Grande Dame 2018, cuvée criada em homenagem à própria Madame Clicquot. Elaborada majoritariamente com Pinot Noir, a safra de 2018 foi particularmente generosa, com uvas de maturidade equilibrada que resultaram em um champagne de grande finesse. Na taça surgem notas de limão, yuzu, flores delicadas, maçã, pera e nuances de confeitaria, acompanhadas por uma salinidade elegante. É um vinho de grande potencial de envelhecimento e, ao mesmo tempo, de leitura muito clara.

O Veuve Clicquot Rich encerrou a experiência e, possivelmente, se trata do rótulo que melhor traduz a capacidade da marca de dialogar com novos contextos de consumo. Criado para ser servido bem gelado e até mesmo com gelo, ele apresenta um perfil mais frutado e gourmand, em que frutas brancas e cítricas aparecem de forma vibrante. É um champagne pensado para momentos de convivência mais descontraídos, como encontros ao ar livre, almoços de verão, e ambientes como beach clubs.

Ao final da noite, cada convidada recebeu uma miniatura de um dos rótulos apresentados. Um gesto delicado, quase simbólico, mas que reflete com precisão a lógica do luxo contemporâneo. Quando uma marca consegue transformar um encontro em lembrança, ela eleva e potencializa o alcance da ação.

No decorrer da experiência, entre taças, conversas e histórias, pude refletir sobre como o real valor de iniciativas dessa natureza está justamente naquilo que não pode ser medido de imediato. O luxo, em sua essência, sempre esteve conectado ao território do intangível, onde produto, narrativa e convivência se encontram para criar algo que se eternize e permaneça na memória muito depois do último gole.

