A saga corporativa/emotiva protagonizada por Meryl Streep e Anne Hathaway se tornou um marco cultural com importante impacto no mercado de alto padrão
Há filmes que transcendem sua posição de produto audiovisual e se tornam marcos culturais. Lançado no ano de 2006, “O Diabo Veste Prada” é certamente um deles. A chegada nos cinemas da segunda parte da história reacendeu o interesse pela obra que consolidou um lugar de destaque no imaginário coletivo. Temas como a liderança, o valor da gestão organizacional, os desafios de conciliar vida pessoal e carreira e o debate entre relevância e superficialidade são tratados com originalidade nas duas produções e, suas lições, podem ser aprendidas por profissionais dos mais diversos segmentos.
Mas, é dentro do mercado de luxo que o legado dos filmes ganha seu valor definitivo. Muito além do universo da moda, tema principal do original e de sua continuação recém-lançada, os mais diversos setores da indústria do luxo podem obter conhecimentos estratégicos através da saga protagonizada por Meryl Streep e Anne Hathaway.

E tudo tem início já no título. Raríssimas são as marcas ou empresas que têm a capacidade de emprestar seu nome para uma obra de arte, especialmente uma de grande relevância. Muito mais do que uma grife centenária, a Prada se consolidou como uma referência em aspectos como inovação, vanguarda e excelência dos métodos produtivos, o que explica o fascínio contínua por seus produtos.

Outro eixo narrativo que dialoga abertamente com os rumos do mercado de luxo contemporâneo é a constatação de que a mudança é a única regra permanente. Marcas de alto padrão dos mais diversos nichos mercadológicos precisam ter a capacidade de entender as alterações constantes nos perfis de consumo e criar estratégias para atender as novas demandas. Novos consumidores, novas tecnologias e novos interesses surgem constantemente e é preciso estar preparado para agir com rapidez e expertise.
Por fim, e não menos importante, é preciso citar a atemporalidade como um dos atributos dos filmes. Os dilemas éticos e emocionais vividos pelas personagens fazem da obra em duas partes uma jornada pelo que existe de mais humano nas pessoas e, assim, mantém sua vitalidade e relevância com o passar do tempo. A mais avançada tecnologia jamais suplantará a emoção de ver um bom filme na sala de cinema. O recado para o mercado de luxo é evidente.

O impacto cultural do segundo filme, certamente, não superará a obra original. Mas, a saga que une moda e jornalismo deve seguir sendo uma referência para os profissionais do luxo deixando um legado que se manterá relevante pelas muitas gerações que ainda estão por vir.

