Em cartaz de 20 a 26 de abril de 2026, em Milão, a terceira edição reúne mais de 15 designers na Residenza Vignale
Entre os inúmeros projetos que disputam atenção durante a semana de design de Milão, o Piloto Milano, idealizado pelo brasileiro Ricardo Gaioso, começa a se consolidar como uma plataforma relevante para o design independente dentro do FuoriSalone.
Em sua terceira edição, que acontece de 20 a 26 de abril de 2026, a mostra amplia seu alcance ao reunir mais de 15 designers na Residenza Vignale, um palazzo histórico de 1905 que traduz com precisão o equilíbrio entre tradição e contemporaneidade. A programação tem início com a preview no dia 19, marcando oficialmente a entrada do projeto no calendário da cidade.

O Piloto Milano é um recorte curatorial sobre o design contemporâneo. Sob o tema “Echoes of Elsewhere”, a edição deste ano propõe uma leitura que atravessa culturas, matérias-primas e referências urbanas, articulando diferentes visões sociais e políticas. Na prática, isso se traduz em peças que nem sempre colocam a função no centro, priorizando camadas subjetivas, simbólicas e estéticas.
À frente da curadoria, Gaioso é jornalista e diretor criativo com mais de 15 anos de atuação no design, hoje baseado em Milão, onde também desenvolve projetos estratégicos e atua no segmento de pesquisa de tendências. É a partir desse repertório que ele constrói uma seleção que privilegia processos autorais e investigações formais.

Entre os nomes presentes, o recorte evidencia a diversidade de abordagens. O brasileiro Alê Jordão apresenta a instalação Bolt Neon, explorando sua linguagem urbana com materiais pouco convencionais, enquanto a dupla André Bastos e Pedro Ávila, da Herança Cultural, aposta em peças que transitam entre o design e a escultura. Já Arthur Casas leva ao projeto sua leitura precisa de formas essenciais e materiais naturais, consolidada em uma trajetória internacional.
A lista segue com nomes como Bruna Horn, que conecta interiores e set design a uma visão global de branding; Fabio Lima, da Venet, que propõe uma leitura mais fluida e quase escultórica do mobiliário estofado; e o duo Fibra Research, que investiga o potencial artístico de fibras nobres italianas em processos livres e experimentais. Juliana Pippi, em parceria com a Unilux, apresenta uma instalação imersiva, enquanto Leonardo Zanatta e Luccas Latauro representam uma geração mais jovem, com forte interesse em sistemas construtivos e novas estruturas.

O projeto também incorpora uma dimensão latino-americana e internacional com nomes como Mati Millet, que traz a precisão da marcenaria de alto padrão argentina, e Maximiliano Crovato, cuja produção mistura referências do pop art com design funcional. Maneco Quinderé contribui com sua leitura da luz como linguagem, enquanto estúdios como Mobilia Puro e OMAMA reforçam a conexão entre design, memória e impacto socioambiental.
Completam a seleção criadores como Richard Daniel, da Tironi, que explora formas orgânicas no mobiliário, Ronald Sasson, com peças que tensionam escala e proporção, e a italiana Viola Pineider, que combina a tradição da marcenaria florentina com uma abordagem contemporânea de reuso e experimentação.
Ao reunir perfis tão distintos em um mesmo espaço, o Piloto Milano não busca uniformidade estética. Pelo contrário, sua força está justamente na fricção entre linguagens, processos e repertórios. É nesse atrito que surge uma leitura mais honesta do momento atual do design, menos preocupado em definir tendências e mais interessado em expandir possibilidades.

