Exposição “Calder. Rêver en Équilibre” revisita cinco décadas da obra do artista e reúne cerca de 300 trabalhos
A Fundação Louis Vuitton dedica todos os seus espaços expositivos a “Calder. Rêver en Équilibre”, uma das mais abrangentes retrospectivas já realizadas sobre Alexander Calder. A mostra ocupa mais de 3.000 metros quadrados e percorre cerca de cinquenta anos de produção do artista, reunindo obras que vão do final da década de 1920 até suas esculturas monumentais das décadas de 1960 e 1970.
Concebida em colaboração com a Calder Foundation, a exposição reúne aproximadamente 300 peças provenientes de instituições internacionais e coleções privadas. O conjunto inclui móbiles e stabiles, termos associados às esculturas cinéticas e estáticas do artista, além de retratos em arame, esculturas em madeira, pinturas, desenhos e joias concebidas como obras únicas.
O percurso expositivo segue uma lógica cronológica e destaca os principais elementos que estruturam a obra de Calder, como o movimento, a luz, o uso de materiais simples, o som, a gravidade e a relação entre espaço positivo e negativo. Ao longo da visita, também são apresentados núcleos específicos dedicados a séries importantes, como Constellation, além de um recorte dedicado às joias criadas pelo artista.
A exposição estabelece ainda um diálogo com a produção de outros nomes relevantes do século XX. Obras de artistas como Piet Mondrian, Pablo Picasso e Paul Klee ajudam a contextualizar a trajetória de Calder dentro do movimento de vanguarda. Fotografias de autores como Henri Cartier-Bresson, Man Ray e Irving Penn registram diferentes momentos da vida e do processo criativo do artista.

Um dos destaques da mostra é o retorno do Cirque Calder a Paris, apresentado originalmente na cidade nos anos 1920. A obra, que combina escultura e performance, volta a ser exibida graças a um empréstimo do Whitney Museum of American Art, o primeiro em 15 anos.
Instalada na arquitetura assinada por Frank Gehry, a exposição também explora a relação entre as obras e o espaço. Os móbiles, suspensos nas galerias, interagem com o ambiente e com a circulação do ar, criando uma dinâmica visual que acompanha o percurso do visitante.
Nascido em 1898, nos Estados Unidos, Calder teve sua formação artística influenciada pelo legado familiar e consolidou sua carreira após se mudar para Paris, em 1926. Inserido no ambiente criativo de Montparnasse, rapidamente se aproximou de nomes importantes da cena artística da época. A visita ao ateliê de Piet Mondrian, em 1930, marcou uma virada em sua produção, levando-o à abstração. A partir dos anos 1930, suas esculturas passaram a incorporar o movimento como elemento central. Ao longo de sua trajetória, transitou entre Europa e Estados Unidos, mantendo uma produção contínua até sua morte, em 1976.
“Calder. Rêver en Équilibre” apresenta, assim, um panorama amplo da obra do artista, destacando a diversidade de suportes e a consistência de uma pesquisa que atravessou diferentes momentos da arte do século XX. A mostra estará em cartaz até o dia 16 de agosto.

