A expansão da perfumaria e dos cosméticos revela como os conglomerados de luxo usam a beleza para ampliar escala, atrair novos consumidores e sustentar crescimento
Perfumes, maquiagens e produtos de beleza de marcas de luxo também são itens de desejo, pois aproximam o consumidor que não acessa os produtos de maior valor da marca. O curioso é que esse movimento começou com a visão de um estilista que entendeu que uma marca de moda poderia ser um estilo de vida. Paul Poiret criou o perfume para acompanhar a mulher que usaria suas criações e, a partir dessa iniciativa, iniciou-se um caminho que levaria inúmeras marcas a expandirem seu nome e portfólio para o universo da beleza.
Hoje, essa divisão dentro das marcas de luxo é estratégica, pois permitiu o acesso das massas às marcas por meio de produtos mais acessíveis, mas que ainda carregam todo o encantamento que a marca gera. O impacto no negócio foi significativo. Diferentemente da moda, que responde de forma mais sensível aos ciclos e tendências, a beleza apresenta um comportamento mais resiliente e recorrente.
A Louis Vuitton entrou no mercado de maquiagem de luxo em 2025 com a linha La Beauté (Foto: Divulgação)
A LVMH consolidou a beleza como um eixo estratégico plenamente integrado, com foco em inovação e constante renovação de portfólio, a categoria representou 10% de sua receita em 2024. Já Grupo Kering adotou uma abordagem distinta. Em 2025, descontinuou a operação da Kering Beauté após firmar uma parceria estratégica de €4 bilhões com a gigante de beleza L’Oréal. O acordo envolveu a aquisição da Creed e a gestão das licenças de fragrâncias e cosméticos de suas maisons. O contraste revela dois modelos de consolidação no luxo: de um lado, a verticalização e o controle direto da cadeia de valor, de outro, a monetização via licenciamento estratégico, preservando o foco no core fashion.

A L’Oréal comprou a divisão de beleza da Kering (dona da Gucci) e adquiriu a renomada casa de perfumaria de nicho Creed (Foto: Reprodução)
As divisões de beleza das marcas de luxo refletem os números e movimentos de todo o setor de beleza, que em 2025 movimentou mais de 600 bilhões de dólares, com crescimento médio anual projetado em cerca de 6,8%. Além disso, há um movimento crescente baseado em inovação e na nova era da beleza. Observa-se que as marcas de luxo entendem e valorizam um setor que segue resiliente e em expansão.
Em um cenário em que desejo, escala e recorrência são determinantes para a sustentabilidade dos conglomerados de luxo, a divisão de beleza deixa de ser apenas uma extensão de marca e passa a ocupar um papel estrutural para o crescimento desses grupos.

