Ação imersiva reuniu convidados em São Paulo e apresentou Jardim do Tempo, coleção de Verão 2027 inspirada em seu legado
Duas décadas atrás, quando a moda brasileira ainda vivia sob a lógica do descarte rápido e das tendências que nasciam e morriam em uma temporada, a A.Niemeyer apostou no caminho oposto. A marca construiu sua identidade em torno de um conceito que hoje virou palavra de ordem no mercado de luxo, o slow fashion, mas que, em 2005, soava quase contracorrente. No último dia 26, em São Paulo, essa trajetória ganhou forma física por uma noite: a marca reuniu clientes, imprensa e parceiros em uma montagem imersiva, construída especialmente para a ocasião, que revisitou duas décadas de uma marca que fez do off-white e do conforto premium sua assinatura.

Estivemos por lá, e o que chama atenção não é apenas a curadoria de moda, é a curadoria de memória. Assinada pela direção criativa de Renata Correa, a ação tem uma relação próxima com a arte que ultrapassa o óbvio: em vez de fichas técnicas penduradas ao lado de cada peça, o público recebia um fone de ouvido. A voz da própria Fernanda Niemeyer contava a história por trás daquela criação, o tecido que não deu certo na primeira tentativa, a viagem que inspirou uma estampa, o motivo de uma cor ter voltado depois de anos fora de linha. Não era para ser vista rápido. Era para ser ouvida, devagar, como em um museu em que se ouve sobre a obra de arte.

Os 35 looks emblemáticos do acervo foram montados em manequins desenvolvidos especialmente para aquela noite, formando um percurso que atravessou a paleta cromática que virou marca registrada da grife: do off-white de origem, passando pelo terracota e pelos azuis desbotados, até o camelo que fechava o circuito. A experiência funcionou como um raio-x de como a empresa evoluiu sem nunca abandonar aquilo que a tornou reconhecível.

Integrada à ação, a coleção Jardim do Tempo chega como o desdobramento comercial da comemoração e investe em florais reinterpretados e em matérias-primas que dificilmente se veem por aí, caso da palha de seda, usada em camisas, vestidos e saias, e do algodão jeans com efeito manchado, que aparece em coletes e peças de alfaiataria. Malhas texturizadas, moletons bordados, jacquards e crochês completam um guarda-roupa desenhado para transitar do dia à noite sem perder sofisticação, em tons de marfim, areia, terracota, blush e azuis desbotados.

“Ao longo dos anos, entendemos que o legado de uma marca é construído pelas histórias que atravessam o tempo, muito mais do que por coleções isoladas. Jardim do Tempo nasce justamente dessa ideia de permanência por meio da transformação: daquilo que evolui e atravessa as estações sem perder sua essência. Ao apresentar essa coleção dentro de uma exposição comemorativa de 20 anos, celebramos nossa trajetória ao mesmo tempo em que abrimos um novo capítulo da A.Niemeyer“, afirmam as fundadoras Fernanda Niemeyer e Renata Alhadeff.

Passadas duas décadas, a marca também expandiu sua atuação para além do vestuário, incorporando categorias ligadas a bem-estar e casa. O evento contou com patrocínio do C6 Bank e apoio do Shopping Iguatemi São Paulo e da Santoni. Parte dos looks apresentados na noite permanece como peça conceitual de acervo, sem previsão de venda; já a coleção Jardim do Tempo está disponível no e-commerce e na loja física da marca.

