A aquisição da camisaria fundada em 1838 consolida a política da maison de preservar ofícios artesanais raros
A Chanel acaba de incorporar ao seu portfólio uma das casas mais tradicionais da alfaiataria francesa. A marca anunciou a aquisição da Charvet, camisaria fundada em 1838 e considerada a mais antiga do mundo ainda em atividade, em um movimento que reforça sua estratégia de preservar patrimônios artesanais considerados essenciais para o futuro do luxo. Os valores da transação não foram divulgados.
Instalada na icônica Place Vendôme, em Paris, desde 1877, a Charvet construiu sua reputação como referência absoluta em camisas sob medida, gravatas, pijamas, robes e alfaiataria. Ao longo de quase dois séculos, vestiu nomes como Marcel Proust, Winston Churchill, John F. Kennedy, Jean Cocteau, Yves Saint Laurent e a própria Gabrielle Chanel.

Segundo a Chanel, a Charvet continuará operando de forma independente, preservando sua identidade criativa, sua equipe e seu modelo de negócios. A intenção da maison francesa não é absorver a marca, mas oferecer estabilidade de longo prazo para um dos últimos grandes especialistas em camisaria artesanal da França, preservando conhecimentos que se tornam cada vez mais raros na indústria da moda.
A aproximação entre as duas casas começou a ganhar força nos últimos meses. Na coleção de estreia de Matthieu Blazy para a Chanel, algumas das camisas usadas na passarela foram produzidas pela Charvet. As peças chamaram atenção pelo rigor da construção e rapidamente se tornaram alguns dos itens mais comentados da coleção, evidenciando uma afinidade estética e técnica entre as duas marcas.

O negócio faz parte de uma estratégia que a Chanel desenvolve há anos. Diferentemente de grupos de luxo que costumam comprar marcas para ampliar portfólio, a maison francesa tem concentrado investimentos na proteção de fornecedores, ateliês e fabricantes especializados. A empresa já incorporou ou investiu em dezenas de oficinas ligadas aos chamados Métiers d’Art, além de participações em empresas têxteis, relojoeiras e de alta manufatura.
A operação também alimentou especulações sobre uma possível entrada definitiva da Chanel na moda masculina. A hipótese ganhou força após a chegada de Matthieu Blazy à direção criativa e pelo crescente protagonismo de embaixadores homens nas campanhas da marca.

