Com “Runway Reflections: Super Nature”, a Maison divulga o making of do desfile Women’s Fall-Winter 2026 e aprofunda a leitura criativa de Nicolas Ghesquière
A Louis Vuitton amplia sua estratégia de conteúdo ao lançar “Runway Reflections: Super Nature”, um documentário disponibilizado em seu canal no YouTube que mergulha nos bastidores do desfile Women’s Fall-Winter 2026. Narrado por Tuba Avalon, o filme propõe mais do que um registro de making of: funciona como uma extensão conceitual da coleção assinada por Nicolas Ghesquière, diretor artístico das linhas femininas da Maison.
Apresentada em março de 2026, no Cour Carrée do Musée du Louvre, em Paris, a coleção reposiciona a natureza como linguagem central do vestuário contemporâneo. Não como referência estética óbvia, mas como sistema estrutural. Montanhas, florestas e planícies deixam de ser cenário e passam a operar como lógica de construção das peças.
Essa abordagem se materializa em silhuetas que respondem a elementos como vento, chuva e sol, e que evocam um tipo de funcionalidade ancestral reinterpretada sob um olhar atual. Há uma tentativa evidente de reconectar moda e ambiente, não em um gesto nostálgico, mas como resposta a um mundo cada vez mais mediado pelo digital. O que Ghesquière propõe é uma reconfiguração simbólica: um novo folclore adaptado ao presente.

Essa tensão entre passado e futuro atravessa toda a coleção. Referências a vestimentas tradicionais aparecem diluídas em uma construção global, onde memória, pertencimento e identidade são tratados como matéria-prima criativa. Ao mesmo tempo, a Maison investe em um discurso de “hiperartesanato”, no qual técnicas manuais e tecnologias avançadas coexistem.
Impressões tridimensionais, resinas e experimentações de materiais criam efeitos que tensionam o olhar: botões que simulam minerais, saltos que remetem a formas orgânicas como chifres, superfícies que reproduzem texturas de madeira em couro flexível.
A bolsa Noé, criada originalmente em 1932, reaparece com suas proporções e cores originais, reforçando a habilidade da marca em trabalhar seu próprio arquivo como ativo estratégico. Ao mesmo tempo, novas peças evocam a ideia de deslocamento e nomadismo, alinhadas a um imaginário de exploração e movimento constante.
Há ainda um diálogo com a arte moderna, como na releitura de uma parure inspirada em Man Ray, traduzida para o vocabulário da Maison por meio de metais que remetem aos rebites de seus históricos baús. A cenografia do desfile, concebida por Jeremy Hindle, reforça esse discurso híbrido.

