Nova linha combina diamantes exclusivos e pedras raras em 110 peças
A Louis Vuitton escolheu Marrakesh, no Marrocos, como cenário para apresentar Mythica, sua mais recente coleção de alta joalheria. Dividida em 11 capítulos e composta por 110 criações únicas, a coleção organiza-se como uma jornada simbólica. Cada conjunto representa uma etapa de transformação, em um percurso que vai do impulso inicial à consagração final.

O ponto de partida, Conquest, estabelece a ideia de direção e avanço, traduzida em peças que exploram a simbologia da flecha.

Em seguida, Totem introduz o conceito de proteção e pertencimento, com joias que reinterpretam códigos históricos da marca, como o padrão em chevron e o uso de ouro bicolor.

Já Fortitude avança para uma estética mais estrutural, destacando uma escolha técnica relevante: a utilização de zirconita natural, uma pedra raramente explorada na alta joalheria, o que reforça o caráter experimental da coleção.

Esse interesse por materiais menos óbvios convive com a valorização de gemas excepcionais. Em Mesmerism, por exemplo, surge uma esmeralda colombiana de mais de 17 quilates, enquanto Whisper aposta em uma safira azul intensa combinada a diamantes de altíssima pureza.

Em Spell, a marca explora diamantes fluorescentes que revelam padrões apenas sob luz ultravioleta. A escolha indica uma tentativa de expandir os limites tradicionais da joalheria, incorporando elementos quase sensoriais à experiência.
À medida que a narrativa avança, a coleção ganha densidade simbólica. Sirius introduz referências celestes, Fortune trabalha a ideia de recompensa e abundância, e Triumph revisita o arquétipo da fênix como metáfora de renascimento. O percurso culmina em Victory, conjunto final que reúne diamantes coloridos em uma composição que remete à coroa de louros, símbolo clássico de conquista.

Mythica evidencia uma ambição estratégica da Louis Vuitton, ao incorporar ao storytelling, códigos visuais próprios e experimentação material. Em um mercado onde diferenciação é construída nos detalhes, transformar joias em discurso pode ser menos um excesso e mais uma necessidade estratégica.

