Exposição da artista chinesa Lu Yang mistura inteligência artificial, filosofia budista, videogame e arte contemporânea em uma experiência sensorial de mais de duas horas
Enquanto a 61ª edição da Biennale di Venezia movimenta o circuito internacional de arte contemporânea, a Fondation Louis Vuitton aproveita o momento para reforçar seu posicionamento cultural global com uma exposição que traduz algumas das discussões mais urgentes da atualidade: identidade digital, inteligência artificial, espiritualidade e os limites da experiência humana em um mundo hiperconectado.

Apresentada no Espace Louis Vuitton Venezia, a mostra DOKU The Illusion, da artista chinês Lu Yang, integra o programa Hors-les-murs, iniciativa criada pela fundação para levar projetos artísticos a diferentes cidades do mundo por meio dos Espaces Louis Vuitton. A exposição também marca duas datas simbólicas para a maison: os 20 anos dos Espaces Louis Vuitton e os 10 anos do programa internacional.
Conhecida por criar universos digitais imersivos que transitam entre arte, videogame, anime e ficção especulativa, Lu Yang construiu relevância no circuito internacional justamente por transformar questões filosóficas complexas em experiências visuais altamente sensoriais. Em vez de utilizar referências da cultura pop apenas como estética, a artista as transforma em ferramentas para discutir temas existenciais ligados à consciência, ao corpo e à própria noção de realidade.

No centro da exposição está DOKU The Illusion, quarto capítulo de uma série iniciada em 2019. O projeto acompanha DOKU, avatar digital criado a partir da digitalização do próprio rosto do artista. Mais do que um personagem, a figura funciona como uma extensão virtual de Lu Yang, permitindo que ela explore conceitos de reencarnação digital, multiplicidade de identidades e transcendência do corpo físico.
O filme, com duração superior a duas horas, mistura narrativa cinematográfica, imagens produzidas por inteligência artificial e trilha sonora contínua para conduzir o visitante por uma jornada visual intensa. Metrôs, cassinos, parques de diversão, restaurantes e museus aparecem em cenários que oscilam entre sonho e colapso, criando uma atmosfera quase alucinatória. Em meio a cenas de combate, morte e renascimento, surgem momentos inesperadamente delicados, como cerimônias de casamento e encontros contemplativos, reforçando o contraste permanente entre destruição e espiritualidade.

A própria montagem da exposição amplia essa sensação de imersão. O Espace Louis Vuitton Venezia foi transformado em uma espécie de santuário futurista, onde esculturas de Buda convivem com uma monumental tela de LED instalada sobre um altar.
O teto espelhado faz com que os visitantes vejam suas próprias silhuetas refletidas no ambiente, integrando seus corpos à obra e eliminando a separação tradicional entre espectador e instalação. Uma exposição diferente para quem estiver por Veneza.

