Durante a Milan Design Week 2026, a maison conecta Art Déco, design contemporâneo e seu legado em baús em uma exposição que revela o luxo como narrativa cultural
Na Milan Design Week 2026, a Louis Vuitton reafirma sua habilidade de ir além da moda e se posicionar como agente cultural. Instalado no histórico Palazzo Serbelloni, em Milão, o projeto apresentado pela maison propõe um percurso imersivo que atravessa décadas de criação, do rigor estético do Art Déco às experimentações do design contemporâneo.

A maison apresenta a coleção Objets Nomades, iniciativa que, há anos, convida designers e artistas a reinterpretar o conceito de mobiliário nômade sob a ótica do savoir-faire da marca. Em 2026, a proposta ganha uma camada adicional de densidade histórica ao prestar homenagem a Pierre Legrain, figura-chave do movimento Art Déco, cuja obra inspira não apenas peças inéditas, mas também a ambientação dos espaços.

Logo na entrada, a exposição estabelece um diálogo direto com o passado da maison. Objetos raros do acervo histórico, como baús originais, frascos e acessórios de viagem, são apresentados em uma cenografia que remete aos vagões de trem dos anos 1920, evocando as origens da Louis Vuitton na arte de viajar.

À medida que o visitante avança pelas salas do palácio, a experiência se desdobra em ambientes que simulam diferentes espaços de convivência, como salas de estar, bibliotecas e áreas de jantar. Tapetes monumentais, peças têxteis e mobiliário criam composições que exploram contraste de cores, texturas e escalas, articulando um universo visual que oscila entre o lúdico e o sofisticado.

Entre os destaques, estão reedições de peças concebidas nos anos 1920, agora reinterpretadas com materiais contemporâneos e acabamento refinado, além de objetos que tensionam a fronteira entre arte e design funcional. O diálogo com nomes como Charlotte Perriand também aparece na curadoria, reforçando a estratégia da maison de construir continuidade estética por meio de referências legitimadas pela história do design.

A exposição avança ainda para um território mais experimental, com criações assinadas pelo Estudio Campana, que introduzem elementos lúdicos e quase surrealistas, como um pebolim habitado por figuras mitológicas e um gabinete revestido em marchetaria de couro exótico. Em paralelo, o estúdio Raw Edges apresenta uma poltrona que explora ilusões ópticas, sugerindo um novo entendimento de conforto a partir da percepção visual.

Fora do circuito interno, o pátio do palácio abriga uma instalação de grande escala desenvolvida em parceria com a Accademia di Belle Arti di Brera, aproximando o projeto do campo educacional e ampliando sua dimensão cultural. Já na entrada, uma livraria temporária reúne publicações da maison, reforçando a estratégia editorial da Louis Vuitton como extensão de seu universo criativo.

A presença da marca na cidade se estende também à sua boutique na Via Montenapoleone, onde peças emblemáticas da tradição de trunk-making são reinterpretadas. Entre elas, um baú construído em vitral, criado para um desfile dirigido por Pharrell Williams, evidencia o domínio técnico dos ateliês ao combinar estrutura, transparência e composição luminosa. Outros modelos revisitados exploram novas formas de habitar o espaço, como um baú que se transforma em closet portátil e outro que incorpora a função de cama, retomando uma invenção original do século XIX.

A Louis Vuitton utiliza a Milan Design Week para consolidar uma estratégia recorrente no mercado de luxo atual: transformar design em linguagem de marca. A maison reforça sua autoridade cultural em um cenário cada vez mais orientado por experiência e significado. A exposição fica aberta ao público até o dia 26 de abril.

