Peça histórica com 21 complicações mecânicas volta a funcionar após sete meses de restauração e passa a integrar a flagship da marca em Nova York durante as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos
Poucas marcas do universo do luxo conseguem transformar seu próprio patrimônio histórico em uma atração contemporânea. A Tiffany & Co. faz exatamente isso ao concluir a restauração de um de seus objetos mais extraordinários: o Relógio Astronômico criado para a Exposição Mundial Colombiana de Chicago, em 1893. A maison resgata um capítulo pouco conhecido de sua tradição relojoeira e o coloca novamente em funcionamento no momento em que os Estados Unidos celebram os 250 anos da assinatura da Declaração de Independência.

A obra, adquirida pela Tiffany em 2025, passou por um processo de restauração de sete meses conduzido nas oficinas da marca, em Genebra. A partir de 3 de julho, o relógio ficará em exibição permanente na The Landmark, a emblemática flagship da Tiffany & Co., na Quinta Avenida, em Nova York.

Com cerca de 2,5 metros de altura, o relógio impressiona tanto pela engenharia quanto pela riqueza ornamental. Construído em estilo Luís XV, combina entalhes florais, marchetaria, detalhes em madrepérola da Califórnia e 13 mostradores de prata pintados à mão, organizados em uma composição que sintetiza arte decorativa e alta relojoaria.

O verdadeiro destaque, porém, está em seu complexo mecanismo. O relógio reúne 21 complicações — funções mecânicas que vão muito além da indicação das horas — dedicadas, em sua maioria, à observação dos movimentos celestes. Entre elas estão calendário perpétuo, fases da Lua, horários de nascer e pôr do sol, posição aparente do Sol e da Lua, indicação das marés, hora mundial em 31 cidades, além do tradicional carrilhão de Westminster.

Algumas dessas complicações praticamente desapareceram da relojoaria contemporânea. O relógio também preserva indicadores históricos e astronômicos pouco usuais, como o Período Juliano, a Equação do Tempo, o Ciclo Solar, as Epactas e as Letras Dominicais — mecanismos desenvolvidos para cálculos astronômicos e calendários eclesiásticos que raramente aparecem reunidos em uma única criação.

Há ainda uma função criada exclusivamente para essa peça: um mostrador dedicado à contagem dos anos transcorridos desde a independência dos Estados Unidos, em 1776. Em 2026, o indicador passa a exibir o número 250, conectando o relógio às comemorações do marco histórico americano.

Embora seja mundialmente reconhecida por seus diamantes e pela icônica Blue Box, a empresa mantém uma relação com a relojoaria desde meados do século XIX. A marca começou a comercializar relógios em 1847, abriu sua oficina em Genebra em 1868 e, poucos anos depois, estabeleceu uma manufatura na cidade suíça, desenvolvendo patentes e mecanismos próprios.

O Relógio Astronômico foi concebido sob a direção do mestre relojoeiro Joseph Lindauer e levou mais de dois anos para ser concluído pelos artesãos da Tiffany. Sua restauração reforça a preservação desse legado técnico em um momento em que o mercado de luxo tem voltado atenção crescente ao patrimônio histórico das grandes maisons.

