Projeto sob medida prioriza áreas externas pensadas para o clima tropical e para a convivência em família
Entre as mais de 160 embarcações reunidas no São Paulo Expo para a 29ª edição do São Paulo Boat Show, a de maior porte leva a assinatura da Intermarine. Anunciada em 2025 e exposta ao público pela primeira vez nesta edição, a Intermarine 25M tem 25 metros de comprimento e um projeto que dedica boa parte desse espaço à vida do lado de fora.

O elemento que mais chama atenção é o balcony, estrutura que se abre na lateral do casco e cria uma varanda de nove metros debruçada sobre o mar. Na popa, o beach club de sete metros funciona como extensão da água, pensado para reunir a família no nível do mar. A proa foi desenhada como lounge, e o flybridge, com cerca de 50 m², concentra área social, jacuzzi e bar com vista de 180 graus. A distribuição revela uma prioridade clara, em que o convés ganha protagonismo sobre as áreas internas, algo coerente com a forma como o brasileiro costuma usar um barco.

“A 25M mostra, em outra escala, aquilo em que acreditamos há décadas: um barco precisa fazer sentido para quem vai vivê-lo“, afirma Roberta Ramalho, CEO da Intermarine. Para a executiva, o estaleiro busca referências técnicas no mundo todo, mas o conhecimento acumulado sobre o uso tropical é o que permite criar embarcações ajustadas ao mercado local.

Uma leitura brasileira do mar
Fundada em 1973, a Intermarine soma mais de 6 mil embarcações entregues em cinco décadas e se apresenta como o único estaleiro do país a trabalhar com projetos inteiramente sob medida. Na prática, isso significa que o proprietário participa das decisões desde a planta, definindo a distribuição dos ambientes, os materiais e os acabamentos ao lado da equipe técnica, antes mesmo da escolha de tecidos e madeiras.

A marca chama de bossa essa combinação entre repertório internacional e vivência da costa brasileira. Ela aparece em escolhas bastante concretas, como sombra onde o sol castiga, áreas de convivência dimensionadas para grupos grandes e a integração entre salão e praça de popa que o clima permite durante quase todo o ano. “A nossa bossa está na forma como lemos o contexto brasileiro e a individualidade de cada família“, resume Roberta.

A mesma lógica orienta a Intermarine 640 HDF, segundo modelo levado ao salão. Com 64 pés, ela tenta reunir soluções típicas de iates maiores, como suíte com closet, área gourmet no flybridge e beach club com boca máxima de 6,45 metros. O Day Bed, espaço de descanso que virou assinatura da casa, também está a bordo.
Da marina para a Gabriel Monteiro da Silva
A novidade que vai além da água é a Casa Intermarine, espaço que o estaleiro pretende abrir no verão na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, endereço paulistano conhecido pela concentração de showrooms de mobiliário e design. A escolha do endereço diz muito sobre o público que a marca quer atrair. Além dos clientes, a casa foi pensada como ponto de encontro com arquitetos, designers de interiores e parceiros, reunindo showroom, lounge e estrutura para eventos.

O projeto chega acompanhado das primeiras colaborações com marcas brasileiras. Trousseau, Lovato e Santa Pele vão desenvolver linhas exclusivas para o estaleiro, voltadas ao uso a bordo. O movimento aproxima a Intermarine de uma estratégia já comum entre fabricantes internacionais de iates, que transformam a experiência náutica em um universo de lifestyle capaz de existir também em terra. Com seis fábricas próprias e marina no Guarujá, a empresa agora testa até onde esse território pode se estender dentro da cidade.

