Tuju e Evvai, em São Paulo, são reconhecidos com o prêmio máximo da gastronomia mundial
Uma noite histórica para o Brasil. Três estrelas é o máximo que um restaurante pode alcançar na avaliação do Guia Michelin, que significa o mais alto reconhecimento da gastronomia. Desde a chegada ao país, em 2015, nenhuma casa havia alcançado esse patamar. Agora, esse cenário mudou. Pela primeira vez, restaurantes no Brasil conquistam 3 estrelas Michelin. E não é apenas um: são dois, ambos em São Paulo.
- TUJU do Chef Ivan Ralston – São Paulo
- Evvai do chef Luiz Filipe – São Paulo

Segundo o guia, a classificação máxima indica uma cozinha excepcional, que por si só justifica a viagem do comensal.


A avaliação é contínua e considera a consistência ao longo de um ano, o que significa que as distinções podem ser conquistadas, mantidas ou perdidas. Um exemplo é o Oteque, que alcançou duas estrelas em 2020, caiu para uma em 2025 e, em 2026, não recuperou a segunda
Apesar de muitos motivos para comemorar, o marco histórico das 3 estrelas Michelin no Brasil contrasta com outro dado da edição. Em 2026, apenas um novo restaurante conquistou 1 estrela Michelin, o Madame Olympe, do chef Claude Troisgros em parceria com Jéssica Trindade.

Nenhum novo restaurante alcançou 2 estrelas. Em 2025, também foram apenas quatro novas casas com uma estrela no país, um número baixo em comparação com mercados como a Europa.
Isso levanta uma questão inevitável: o que está acontecendo com a alta gastronomia no Brasil? Os custos de matéria-prima aumentaram globalmente. Ao mesmo tempo, muitos restaurantes sem estrela elevaram preços sem uma evolução proporcional de experiência ou consistência.
O ponto central está na base do sistema. O número de novos restaurantes com 1 estrela Michelin é baixo, indicando um estreitamento no funil de entrada da alta gastronomia. Já o nível de 2 estrelas segue estável, com movimentação entre casas já estabelecidas.
Nesse cenário, surge uma dúvida mais sensível: ainda existe incentivo real para abrir restaurantes com foco em conquistar 1 estrela Michelin? Ou o mercado passou a favorecer modelos em que é possível operar sem estrela, com preços elevados, maior volume e menor pressão por consistência técnica, mas com boa demanda e margens mais previsíveis?
Enquanto isso, a demanda segue forte e os restaurantes continuam cheios, mesmo com preços mais altos. Em muitos casos, a experiência é cada vez mais guiada pelo ambiente e pela estética, e menos pela cozinha. O resultado é um sistema em que o topo evolui, o meio se mantém, mas a base perde força. Isso reduz o fluxo de novos restaurantes com potencial de progressão dentro do guia.
Outras premiações
Durante a noite, também foram entregues prêmios especiais. O Michelin Jovem Chef foi para Pedro Coronha, do restaurante Koral. O prêmio de Serviço ficou com Raphael Zanon, da Casa 201, e o de Sommelier com Robério de Sousa Queiroz, do Maní.
Já o Exceptional Cocktails Award, nova categoria criada pelo guia, reconhece equipes de mixologia. O destaque foi Anderson Oliveira, do restaurante D.O.M. A avaliação vai da execução de clássicos às criações autorais, reforçando a importância de uma experiência completa.
No Brasil, o guia segue concentrado no eixo Rio-São Paulo, com a cerimônia alternando entre as duas cidades a cada ano.
Após a cerimônia, esta é a nova classificação do Guia Michelin no Brasil:
- Selecionados: 81 restaurantes
- Bib Gourmand: 44 restaurantes
- 1 Estrela Michelin: 19 restaurantes
- 2 Estrelas Michelin: 3 restaurantes
- 3 Estrelas Michelin: 2 restaurantes

