The Beverly Hills Hotel e Hotel Bel-Air, da Dorchester Collection, ampliam a experiência além da hospedagem com exposições artísticas
A relação entre arte e mercado de luxo deixou de ser apenas simbólica. Mais do que patrocinar exposições ou associar suas marcas a artistas, grupos de hospitalidade vêm incorporando a arte como parte essencial da experiência. Em Los Angeles, dois hotéis da Dorchester Collection apresentam sua programação artística para 2026.
Com curadoria da especialista britânica Lily Ackerman, em parceria com a organização CURA Art, o calendário dos hotéis The Beverly Hills Hotel e Hotel Bel-Air foi desenhado para dialogar com a identidade de cada propriedade.

No The Beverly Hills Hotel, a programação gira em torno do conceito “Where Land Meets Light”, que explora a relação entre luz, paisagem e percepção, elementos profundamente associados à estética californiana. A abertura fica por conta de uma mostra que aproxima diferentes gerações da abstração, reunindo trabalhos da artista Yvonne Thomas, cuja produção evoluiu do cubismo para composições mais gestuais e atmosféricas, e de Susan Vecsey, conhecida por suas telas que evocam a natureza por meio de camadas sutis de cor.

Na sequência, o hotel recebe uma retrospectiva do fotógrafo Arthur Elgort, figura central na transformação da fotografia de moda nas décadas de 1970 e 1980. Seu olhar espontâneo, que capturava modelos em movimento e situações naturais, redefiniu o padrão estético de publicações como a Vogue e influenciou gerações de fotógrafos.

Encerrando o ciclo, a programação avança para abordagens mais contemporâneas com as artistas Cassandra C. Jones e Francesca Gabbiani, que exploram narrativas visuais complexas a partir de fotografia digital, colagens e técnicas mistas.

Já no Hotel Bel-Air, a proposta segue uma linha distinta, centrada na tridimensionalidade e na interação com o espaço. Sob o título “Monumental: Conversations with Space”, a programação investiga como a escultura pode alterar a percepção do ambiente e estabelecer diálogos entre arquitetura e paisagem.
A primeira instalação, assinada por Anthony James, ocupa os jardins do hotel com estruturas que combinam vidro espelhado, aço e luz LED. Suas obras funcionam como portais luminosos, criando efeitos visuais que oscilam entre o contemplativo e o sensorial.
Na sequência, o programa ganha um recorte brasileiro com a participação do escultor Daniel Jorge, em colaboração com a pesquisadora Margarita Rosa. Utilizando materiais como pedra-sabão e metal, suas obras investigam identidade, corpo e pertencimento a partir de uma perspectiva afro-diaspórica, ampliando o debate sobre representatividade dentro de circuitos tradicionalmente eurocentrados.

Um ponto relevante dessa iniciativa é o acesso aberto: todas as exposições são gratuitas e podem ser visitadas pelo público, não apenas por hóspedes. Isso posiciona os hotéis como espaços híbridos, que operam simultaneamente como destinos de hospitalidade e centros culturais.

