Em talk na 55DESIGN, o arquiteto apresentou o Edifício Primavera, residencial da RFM com apenas 12 apartamentos na altura da copa das árvores perto do Ibirapuera
Quanto vale, em São Paulo, abrir a janela e ver árvores em vez do prédio vizinho? Para Arthur Casas, esse tipo de vista não tem preço. A pergunta atravessou o talk do arquiteto na 55DESIGN, em evento dedicado ao que um projeto residencial de alto padrão precisa oferecer hoje. Na lista dele entram o verde na própria fachada, uma escala compatível com o entorno e um edifício que a vizinhança receba bem. Marcelo Moraes, CEO da RFM, completou pelo lado do mercado com planta flexível, arquitetura autoral e áreas comuns à altura do endereço.

O exemplo que costurou a conversa foi o Edifício Primavera, residencial que a RFM desenvolve em parceria com a RKG, incorporadora e curadora imobiliária paulistana, com arquitetura e interiores do Studio Arthur Casas. A noite de lançamento coincidiu com a chegada da estação que dá nome ao prédio. Mediado pela jornalista e apresentadora Ticiana Villas Boas, o talk teve Casas sentado num sofá que ele mesmo desenhou e terminou com um jantar para os convidados.
A escala é o primeiro dado que se destaca. São apenas 12 apartamentos em seis andares de uma torre única, num terreno de 1.741,89 m² em rua arborizada e tranquila, cercada por casas. As unidades ficam mais ou menos na altura da copa das árvores, e da janela se vê “um mar de verde”, nas palavras do arquiteto, bem diferente da paisagem de concreto que costuma cercar quem vive em prédio na cidade.

O verde como parte da arquitetura
Casas partiu de uma crítica ao jeito como São Paulo cresceu para cima. Durante décadas, um edifício novo chegava ao bairro como problema para quem já morava ali. O arquiteto diz buscar o caminho inverso e quer que seus prédios virem referência afetiva na rua, daqueles que os moradores citam com orgulho quando explicam onde vivem. “O prédio hoje tem que ser uma coisa importante na paisagem, uma coisa positiva“, afirmou.

No Primavera, essa intenção aparece na fachada de concreto aparente pigmentado, no muxarabi quadriculado de alumínio que o estúdio desenvolveu especialmente para o projeto e, sobretudo, nas floreiras que marcam cada pavimento. O paisagismo de Renata Tilli envolve toda a torre. “Não existe uma pessoa no mundo que não goste de verde. Quando você coloca esse elemento vegetal na fachada, quem mora ali e quem vive na vizinhança começa a se relacionar com o edifício de uma forma completamente diferente e muito mais positiva“, disse Casas. Para ele, cada terreno pede que se tire o melhor partido do que oferece, inclusive das dificuldades. Com o entorno baixo e arborizado, o resultado é que “quem vai morar ali vai morar numa casa“.

Cada unidade tem 400 m², com plantas que admitem três ou quatro suítes. O recuo generoso em relação à rua garante uma privacidade rara para um endereço tão próximo do Parque Ibirapuera. Nas áreas comuns, mobiliário de designers e obras de arte selecionadas acompanham a piscina coberta de 25 metros com raia, a academia, a sala de yoga e os espaços de descanso.
A RFM soma mais de quatro décadas no mercado e mais de 3,8 milhões de m² construídos. O grupo também opera o Txai Resorts Itacaré, e esse repertório de hotelaria aparece no spa do condomínio, que reúne saunas seca e úmida, sala de massagem, sala de descanso e área de hidromassagem. “Hoje, quando a gente fala de projetos de altíssimo padrão, além de ter uma localização extremamente especial, a gente tem que reunir outros elementos, como uma planta super flexível, que consiga atender o máximo de famílias possível, uma arquitetura muito diferenciada e áreas comuns muito especiais“, afirmou o CEO. As obras começam ainda em 2026, e a entrega está prevista para 2028.

