Anuário BLTA 2026 mostra força do mercado nacional, avanço do bem-estar e maior peso da sustentabilidade na hotelaria de alto padrão
O turismo de luxo brasileiro movimentou R$ 3,34 bilhões em 2025 apenas entre os meios de hospedagem pesquisados pela Brazilian Luxury Travel Association (BLTA). Mas, para além do faturamento, o novo Anuário BLTA 2026 revela algo mais interessante sobre o setor: o viajante de alto padrão está valorizando cada vez mais bem-estar, personalização e experiências conectadas aos destinos.
Realizado em parceria com o Centro Universitário Senac, o levantamento ouviu 71 associados, sendo 63 hotéis, pousadas, lodges e resorts e oito operadoras. Nos meios de hospedagem, a diária média chegou a R$ 3.109 e o número de hóspedes ficou próximo de 1 milhão, com taxa de ocupação de 50%.

O brasileiro continua sustentando boa parte desse mercado: representa 70% dos hóspedes, ante 30% de estrangeiros. Já entre as operadoras, o ticket médio diário alcançou R$ 16.524 para clientes nacionais, alta de 6% em relação a 2024, e R$ 21.216 para internacionais, crescimento de 4%.
“A BLTA sempre acreditou que excelência e responsabilidade são faces da mesma moeda, e os expressivos índices de adesão à agenda ESG entre os associados demonstram que essa convicção se transformou em um movimento concreto. Seguiremos firmes no propósito de consolidar o Brasil como referência global de hospitalidade, autenticidade e transformação”, afirma Roberto Klabin, presidente do Conselho da BLTA.

Entre os destinos mais procurados pelas operadoras, o Rio de Janeiro lidera, citado por 51%, seguido por Foz do Iguaçu, com 40%, e Pantanal, com 24%. A preferência ajuda a mostrar uma das vantagens competitivas do Brasil no mercado internacional de luxo: uma oferta fortemente associada à natureza, cultura, gastronomia e experiências que dificilmente podem ser reproduzidas em outros destinos.
Do hotel à experiência
O comportamento do hóspede também ajuda a entender para onde caminha o setor. Bem-estar, spa e relaxamento aparecem entre as preferências dos clientes em 93% dos empreendimentos, acima dos 90% registrados no ano anterior. Massagens são citadas por 92%, gastronomia por 85% e serviços personalizados por 65%.
Os dados reforçam uma mudança já perceptível no mercado de luxo: infraestrutura e serviço continuam fundamentais, mas já não são suficientes para definir uma experiência de alto padrão. Cuidado, personalização e uma relação mais próxima com o lugar passam a fazer parte dessa equação.

A permanência dos estrangeiros também chama atenção. Enquanto 58% dos brasileiros ficam por até três diárias, 80% dos hóspedes internacionais permanecem no país por mais de sete dias, uma janela importante para a construção de roteiros que combinem diferentes destinos e experiências.
Sustentabilidade ganha peso
O anuário também mostra que a agenda socioambiental começa a ocupar um espaço mais concreto na operação das empresas. Entre os meios de hospedagem pesquisados, 35,48% já possuem certificação de sustentabilidade ou estão em processo de obtê-la. Nas operadoras, são 28,57%.
A BLTA estabeleceu como meta chegar a 2028 com 100% dos associados certificados. Atualmente, 42 meios de hospedagem apoiam 164 projetos socioambientais, enquanto as oito operadoras participantes estão envolvidas em outras 26 iniciativas, principalmente nas áreas de desenvolvimento socioeconômico, educação e conservação ambiental.
“A evolução dos números de ESG e o engajamento dos nossos associados são fruto de um trabalho consistente e de uma cultura que se fortalece a cada ano. Nossa meta é chegar a 2028 com 100% dos associados certificados. Os dados do Anuário, consolidados com nossos avanços mais recentes, mostram que estamos no caminho certo e cada vez mais convencidos de que o verdadeiro luxo está em gerar impacto positivo para os viajantes, as comunidades e o meio ambiente”, afirma Camilla Barretto, CEO da BLTA.

A associação também passou a adotar a metodologia de cliente oculto em suas auditorias, em parceria com a OnYou, ampliando os critérios de avaliação dos empreendimentos que integram seu portfólio.

Apresentado em São Paulo no dia 25 de agosto, o Anuário BLTA 2026 chegou acompanhado de outra novidade: o lançamento do novo site da associação, reformulado para se aproximar tanto do viajante quanto do trade turístico. Atualmente, a BLTA reúne 74 associados, entre hotéis, resorts, lodges, pousadas e operadoras.
Os números ajudam a dimensionar o mercado, mas o movimento mais relevante talvez esteja no que passa a determinar valor dentro dele. No turismo de luxo brasileiro, a experiência deixa de ser medida apenas pela sofisticação da hospedagem e passa a incorporar bem-estar, personalização e uma conexão mais consistente com o destino.

