Italian Eyewear Exhibition reuniu 15 fabricantes na Casa Fasano, com peças numeradas e modelos únicos
A indústria italiana de óculos voltou os olhos para o Brasil. Depois de um 2025 de retração, as exportações de armações e óculos de sol da Itália para cá cresceram 2,5% no primeiro trimestre de 2026, em um momento em que o setor tenta depender menos dos Estados Unidos, onde as vendas recuaram. Foi nesse cenário que a Italian Eyewear Exhibition realizou sua primeira edição no país, na Casa Fasano, em São Paulo.

Depois de passar por Paris, Nova York e Panamá, a mostra organizada pela Italian Trade Agency, em parceria com a ANFAO, associação que reúne os fabricantes ópticos italianos, e com apoio da Abióptica, trouxe 15 empresas, parte delas ainda sem distribuição por aqui. Do outro lado da mesa estavam compradores do Brasil e de diversos países da América Latina, interessados em renovar portfólios com etiquetas pouco conhecidas do público local. A Itália tem motivos para buscar novos destinos, já que exporta cerca de 90% do que produz em uma indústria que fatura € 5,64 bilhões por ano e soma quase 800 empresas.

O Brasil, por sua vez, oferece um terreno fértil. O mercado óptico nacional movimentou mais de € 3,8 bilhões em 2025, e a Abióptica projeta crescimento de 5,2% para este ano, puxado pela profissionalização das óticas e pelo avanço do segmento premium. “Estamos muito felizes em promover este encontro entre a excelência italiana e a força do mercado brasileiro, criando novas oportunidades de negócios e uma conexão estratégica que valoriza e beneficia ambos os mercados”, afirmou Milena Del Grosso, diretora para o Brasil da Italian Trade Agency.

Óculos como obra de arte
Se a motivação é comercial, o que se viu nos estandes foi design em estado puro. A coleção da Piero Massaro chamou atenção por tratar a armação como peça de galeria. Seus modelos são numerados, com apenas 100 unidades de cada. O metal utilizado é o mesmo aço empregado por uma relojoaria de luxo, e alguns modelos levam tecidos de alfaiataria masculina dos anos 1950, em preto e branco, aplicados à armação. O trabalho já rendeu à marca o prêmio conhecido no setor como o Oscar dos óculos. É nas hastes, porém, que o designer mais se diverte, alternando estampas, cores e texturas em uma parte que costuma ser tratada como mero detalhe técnico.

A Ultra Limited leva a exclusividade ainda mais longe. Na marca italiana, cada modelo é produzido uma única vez, sem repetição de combinação, o que faz de cada par um exemplar sem igual. A lógica é a de um acessório autoral, em que a cor e o desenho falam antes de qualquer palavra. “Você pode caprichar no sapato, mas nada demonstra tanto quanto os óculos. A gente se expressa pelo olhar e, consequentemente, pelos óculos. Fica muito mais fácil se expressar através deles”, disse o gestor da marca.

É essa combinação de ofício artesanal, novos materiais e processos digitais, que já incluem inteligência artificial, que a Itália quer vender ao consumidor latino-americano. Para as óticas e compradores que circularam pela Casa Fasano, o recado foi claro. No luxo, os óculos passaram a ocupar o mesmo lugar de uma joia ou de um relógio, com a vantagem de estarem sempre à vista.

