Um jantar intimista e harmonizado foi realizado no Filomena Cucina, no hotel Rosewood São Paulo, para celebrar a chegada do champagne
Como apreciador da alta gastronomia, receber no Brasil um champagne de perfil altamente gastronômico como o Charles Heidsieck, presente em alguns dos melhores restaurantes do mundo, é um privilégio. Ele está, por exemplo, no El Celler de Can Roca, em Girona, reconhecido diversas vezes como o melhor restaurante do mundo, além de casas icônicas como o George V e o Alain Ducasse at The Dorchester, com três estrelas Michelin.
A Maison de champagne foi fundada em 1851 e desde seus primeiros anos esteve à frente de seu tempo ao apostar na internacionalização de seu produto para os Estados Unidos no século XIX.
Em princípio, o Brasil recebe três rótulos: Brut Réserve, Rosé Réserve e Blanc de Blancs.

Para celebrar a chegada da prestigiada casa de champagne, foi realizado um jantar intimista e harmonizado, reunindo formadores de opinião, críticos, chefs, amigos da marca e imprensa especializada. O encontro aconteceu no Filomena Cucina, no hotel Rosewood São Paulo.

Uma característica que me chamou atenção é o longo envelhecimento dos blends, que permanecem em cave por anos, ganhando complexidade e profundidade aromática. Mesmo diante da alta demanda, a Maison opta por manter uma produção limitada e controlada, de cerca de 1 milhão de garrafas por ano, priorizando a qualidade em vez da expansão de volume, um princípio essencial no universo do luxo baseado na excelência.

A experiência de apresentação foi realizada em quatro etapas. Começou com um crudo de vieira, azeite, ciboulette e iogurte cítrico, harmonizado com o Champagne Charles Heidsieck Blanc de Blancs. Para mim, o melhor rótulo da noite.

Por uma conexão pessoal, sou descendente de japoneses e apaixonado pela gastronomia japonesa, a primeira degustação me transportou imediatamente para referências como sushi de robalo com raspas de limão ou um linguado prensado em alga kombu. Um champagne que se encaixa perfeitamente em uma experiência omakase. Vale destacar que mais de 50% dos restaurantes estrelados no Brasil são japoneses ou têm influência asiática.
Em seguida, caramelle de lagostim, molho bisque e gengibre crocante, harmonizado com o Champagne Charles Heidsieck Brut Réserve. Outra harmonização que funcionou muito bem: o brut limpa completamente o paladar para a próxima mordida.

O terceiro passo foi um pato assado com jus, cogumelos e purê de batatas, harmonizado com o Champagne Charles Heidsieck Rosé Réserve.

E, para a sobremesa, uma torta de mousse de chocolate com cereja amarena, também harmonizada com o Rosé Réserve.

No final da experiência, ficou claro para mim como esse champagne se encaixa muito bem nos menus atuais de grandes restaurantes e no trabalho de chefs que buscam precisão nas harmonizações.
A chegada desse importante produtor da região de Reims ao Brasil é um movimento relevante. Também chama atenção o controle cuidadoso dos canais de distribuição neste início, algo bem característico de marcas de luxo que priorizam posicionamento antes de expansão.

