O prêmio criado pela Veuve Clicquot vai além do reconhecimento individual e reforça a importância da representatividade feminina nos negócios
Participei do jantar promovido pela Veuve Clicquot, em São Paulo, para abrir as inscrições do Bold Woman Award 2026. Não voltei para casa pensando só no prêmio. Voltei pensando também nas conversas da noite. E não apenas na mesa-redonda do palco, mas nas trocas que aconteceram nas mesas do jantar, entre mulheres de setores que dificilmente se encontram.

A mesa-redonda da noite girou em torno de marca pessoal: autenticidade, posicionamento, reputação, a forma como cada uma se apresenta ao mundo. Temas que conheço bem pelo trabalho e que renderam boas reflexões.

Mas nas mesas estavam sentadas mulheres em estágios diferentes de carreira, de áreas que raramente se cruzam no dia a dia. E mesmo assim a conversa fluía como se todas já se conhecessem. Acho que é isso que acontece quando paramos de disputar espaço e começamos a dividir o que aprendemos.
Não escrevo isso como manifesto. Escrevo porque acredito, de forma bem concreta, que encontros assim mudam trajetórias. A maior parte das dificuldades que enfrentamos não é exclusiva de cada uma. A insegurança antes de cobrar o preço justo, a dúvida sobre ocupar ou não determinado lugar, a solidão de quem decide sozinha. Quando uma mulher fala disso em voz alta, ela autoriza a outra a falar também. E o que parecia falha individual se revela parte de um caminho comum.

É por isso que dou valor a iniciativas como o Bold Woman Award. Criado em 1972, é o prêmio internacional mais antigo dedicado ao empreendedorismo feminino, e já reconheceu mais de 450 mulheres em mais de 27 países. O que me atrai não é a estatueta, mas a visibilidade que ele oferece. A marca foi além e criou também a Bold Open Database, primeira base aberta dedicada a registrar empreendedoras no mundo todo, justamente porque mulheres de negócios ainda aparecem menos na imprensa. Reconhecer publicamente uma empreendedora não beneficia só ela. Cria referência para todas as que vêm depois e ainda não se viram representadas em lugar nenhum.

As inscrições desta edição são gratuitas e seguem até 24 de agosto, no site oficial da marca, em duas categorias: o Bold Woman Award, para quem fundou um negócio há mais de cinco anos, e o Bold Future Award, para quem começou nos últimos cinco. As finalistas serão conhecidas em novembro. Até lá, fica o convite: que mais mulheres se candidatem, se mostrem, ocupem o lugar.

Madame Clicquot assumiu a maison em 1805, aos 27 anos, depois da morte do marido, num tempo em que mulheres não administravam empresas nem tinham conta no banco. Transformou a casa numa referência mundial e ficou conhecida como La Grande Dame de Champagne. Mais de dois séculos depois, a conversa sobre o nosso espaço ainda não terminou. Mas ela acontece de outro jeito agora: à mesa, entre pares, sem precisar pedir licença.
Saí daquele jantar com contatos novos, sim. Saí principalmente com a sensação de que a voz feminina fica mais forte quando deixa de ser solo e vira coro.

