Em entrevista ao Info Luxo, a atriz fala sobre a criação de uma coleção de joias, os desafios da carreira e reflete sobre propósito, representatividade e autenticidade
Mais de duas décadas depois de estrear na televisão, Cris Vianna vive um momento em que a carreira ultrapassa as fronteiras da atuação. Enquanto se prepara para novos projetos no cinema e no streaming, a atriz também estreia como cocriadora da coleção de joias Raiz Dourada, desenvolvida em parceria com a designer Leia Sgro. O projeto traduz referências pessoais, ancestralidade e uma visão de luxo construída a partir de significado e identidade.
Em entrevista exclusiva ao Info Luxo, Cris fala sobre essa nova fase profissional, relembra os desafios de interpretar Maíra em Arcanjo Renegado, comenta o retorno ao cinema com Veraneio e reflete sobre temas que atravessam sua trajetória, como representatividade, consumo consciente e o valor emocional que uma joia pode carregar. Confira.

Você vive um momento bastante plural na carreira, com uma série de sucesso no streaming, um novo filme em produção e uma coleção de joias. Como você enxerga essa fase e o que ela representa na sua trajetória profissional?
Eu vejo esse momento como um reflexo de uma caminhada construída com muita dedicação. Hoje tenho a oportunidade de transitar por diferentes linguagens e também explorar outras formas de expressão. A atuação é a minha paixão, mas poder participar da criação da coleção de joias “Raiz Dourada” com a Leia Sgro é uma extensão da minha identidade, do meu olhar para a beleza, para a ancestralidade e para aquilo que me representa.
Em Arcanjo Renegado, você interpreta uma personagem intensa e complexa. O que esse trabalho despertou em você como atriz e quais desafios ele trouxe?
A Maíra é uma personagem que me desafia constantemente porque ela não cabe em definições simples. Ela é uma mulher forte, estrategista, sensível em alguns momentos, mas também muito firme nas decisões que precisa tomar. Interpretá-la exige um equilíbrio muito grande entre emoção e racionalidade. Esse trabalho me fez revisitar muitos recursos como atriz, é um papel muito rico, justamente porque me permite explorar muitas camadas.

Você está retornando ao cinema com Veraneio, dividindo cena com nomes como Zezé Polessa, Marcelo Serrado e Alessandra Negrini. O que mais tem te motivado nesse novo projeto?
O cinema sempre teve um lugar muito especial na minha carreira, então voltar ao set já é, por si só, muito significativo. E fazer isso ao lado de artistas que admiro profundamente torna a experiência ainda mais rica. O elenco é incrível, existe uma troca muito generosa entre todos, e isso faz muita diferença no processo criativo. Além disso, Veraneio é uma história que provoca reflexões e fala sobre relações humanas. Participar de um projeto que reúne um bom roteiro, uma equipe talentosa e personagens interessantes me deixa muito realizada como atriz.
Sua parceria com a designer Leia Sgro vai além de uma collab de celebridade. Em que momento você percebeu que queria participar ativamente da criação da coleção e não apenas emprestar sua imagem? Conta um pouco do processo criativo, quando se deu conta que não era algo pontual, que você gostaria de estar mais envolvida. O universo das joias já fazia parte da sua vida?
A Leia é uma amiga de muitos anos, então, esse projeto nasceu, antes de tudo, da confiança e da admiração que construímos ao longo da nossa amizade. Nós duas queríamos criar algo que tivesse identidade, que refletisse valores que compartilhamos e que contasse uma história. Participei de todo o processo criativo, trocando referências, falando sobre ancestralidade, feminilidade e força. Acho que isso é o que torna a coleção tão especial: ela nasceu de uma amizade e de uma construção feita a quatro mãos. Sempre gostei de peças que atravessam gerações, que guardam memórias e representam momentos importantes.

Muitas pessoas compram joias para celebrar momentos importantes da vida. Existe alguma joia que marcou a sua história ou que tenha um valor emocional especial para você?
Tenho algumas peças que guardo com muito carinho justamente pelo significado que elas carregam. São joias que recebi em momentos importantes da minha vida e, por isso, têm um valor que vai muito além do material.

O mercado de luxo vive uma transformação, com consumidores valorizando cada vez mais autenticidade, propósito e significado. Você acredita que o luxo de hoje está menos ligado à ostentação e mais às histórias que um objeto carrega?
Acredito que sim. O verdadeiro luxo está naquilo que tem identidade, qualidade e significado. As pessoas estão cada vez mais interessadas em consumir de forma consciente, escolhendo peças que façam sentido para a sua história e que possam acompanhá-las por muito tempo. Quando um objeto carrega um processo cuidadoso e uma narrativa, ele ganha um valor que não está relacionado apenas ao preço.
A coleção também reforça a força do design brasileiro autoral. Como você enxerga o momento da joalheria nacional e a importância de valorizar criadores brasileiros? Temos visto muitas marcas nacionais ganhando destaque.
O Brasil tem uma diversidade cultural enorme, e isso se reflete no trabalho de muitos criadores. Valorizar esses profissionais é fortalecer a nossa identidade e mostrar que temos criatividade, qualidade e excelência para produzir peças que dialogam com o mundo sem perder a nossa essência. Fico feliz em fazer parte desse movimento ao lado da Leia.

Representatividade sempre esteve presente na sua trajetória. Você acredita que o seu trabalho na criação de joias também comunica uma mensagem sobre identidade e pertencimento para mulheres que desejam se reconhecer nas marcas que consomem?
Sem dúvida. Acho que, hoje, as pessoas querem se conectar com marcas que tenham propósito e representem valores reais. Quando uma mulher preta se vê representada em uma campanha, em uma coleção ou na história por trás de uma marca, essa conexão acontece de uma forma muito mais profunda.
Depois de tantos anos de carreira, o que mudou na forma como você enxerga sucesso? Hoje, o que faz um projeto realmente valer a pena para você?
Hoje, sucesso é poder fazer escolhas alinhadas aos meus valores, trabalhar com pessoas que admiro e participar de projetos que me desafiem artisticamente e façam sentido para a minha história. Quando existe verdade no que estou fazendo, o resultado acaba sendo uma consequência.

Quando você pensa no legado que deseja construir (como atriz, mulher e agora também cocriadora de uma coleção de joias), como gostaria de ser lembrada daqui a algumas décadas?
Gostaria de ser lembrada como alguém que construiu uma trajetória com integridade, respeito e coragem para abrir caminhos. Espero que meu trabalho inspire outras mulheres pretas a acreditarem no próprio potencial e a ocuparem espaços com confiança, sem abrir mão de quem são.
Para encerrar, o que é luxo para você?
Para mim, luxo é viver com liberdade para ser quem eu sou. É olhar para a minha trajetória com orgulho, reconhecer tudo o que construí e seguir fazendo escolhas que estejam alinhadas com a minha essência. Também é ter tempo para cuidar de mim, estar com as pessoas que amo, aprender, recomeçar quando for preciso e viver cada fase com presença.

