Sign in Join
  • Local
  • Art
  • Weather
  • Food
  • Travel
  • More
Sign in
Welcome!Log into your account
Forgot your password?
Create an account
Sign up
Welcome!Register for an account
A password will be e-mailed to you.
Password recovery
Recover your password
Search
Logo
Logo
Logo
  • HOME
  • NEWS
    • Arte e Design
    • Automóveis
    • Beleza
    • Gastronomia
    • Hotelaria
    • Joias
    • Moda
    • Relógios
    • Wellness
  • Negócios
  • Colunistas
  • Boutique
Colunistas

O negócio da fé: quando as gemas viram pseudociência

Cristal de quartzo (Foto: Edz Norton/Unsplash)

Compartilhe

Facebook
Twitter
Pinterest
WhatsApp

    Gwyneth Paltrow construiu um império sobre a energia dos cristais, foi processada e pagou US$ 145 mil. Mas o mercado de luxo ainda precisa aprender a distinguir beleza de crença

    Há joias que se vendem por seu brilho, raridade e história e há aquelas que se vendem por uma promessa: a de cura, proteção ou transformação espiritual. O segundo caso é um negócio multimilionário e, do ponto de vista científico, uma falácia.

    O exemplo mais emblemático é o da Goop, a plataforma de estilo de vida de Gwyneth Paltrow. Em 2018, a empresa foi processada por promotores de dez condados da Califórnia por promover produtos com supostos benefícios à saúde sem comprovação científica, entre eles, dois ovos de jade e quartzo que, segundo o site, ajudariam no equilíbrio hormonal, na regulação menstrual e na “energia sexual feminina”. O acordo foi fechado em US$ 145 mil em penalidades civis. A Goop não admitiu culpa, mas parou de fazer tais alegações e incluiu avisos de que suas declarações não foram avaliadas pela FDA, a agência reguladora americana. O episódio não é isolado, é a ponta de um iceberg de desinformação que fatura milhões anualmente.

    Anel de turmalina paraíba com diamantes. (Foto: Divulgação/Christie’s)

    Mas o que a ciência tem a dizer sobre isso? Muito e em alto e bom tom. Em 2001, o psicólogo britânico Christopher French, professor e fundador da Anomalistic Psychology Research Unit em Goldsmiths, Universidade de Londres, conduziu uma pesquisa que se tornou referência no tema. Ele recrutou 80 voluntários e os dividiu em dois grupos. Ambos meditaram segurando cristais supostamente terapêuticos, mas metade dos participantes, sem saber, recebeu pedaços de vidro comuns, visualmente idênticos aos cristais verdadeiros.

    O resultado? Ambos os grupos relataram sentir os mesmos efeitos: formigamento, calor e sensações de bem-estar. A conclusão foi direta: a sensação de “energia” não vinha da pedra, mas da mente. Quanto maior a crença prévia nos poderes dos cristais, mais intenso o efeito relatado, independentemente de a pedra ser real ou falsa. A pesquisa, apresentada na British Psychological Society e intitulada “Crystal clear: Paranormal powers, placebo, or priming?”, demonstrou de forma robusta que a cura por cristais é, em essência, um efeito placebo. Não há revisão por pares que sustente o contrário.

    E não é só French que endossa esse ceticismo. Peter Heaney, professor de geociências da Universidade Penn State, afirmou ao Washington Post que jamais viu uma única proposta de pesquisa financiada pela National Science Foundation sobre os poderes curativos dos cristais, e que qualquer solicitação nesse sentido “francamente nunca sobreviveria à revisão por pares, porque não há nenhuma razão teórica para esperar que cristais tenham poderes curativos“. Heaney explica que, embora os cristais possuam energia no sentido físico estrito, conforme a equivalência massa-energia de Einstein, isso não guarda nenhuma relação com cura ou transferência de energia para o corpo humano.

    Pierre e Jacques Curie, descobridores do efeito piezelétrico em 1880, um fenômeno físico real, hoje frequentemente apropriado para justificar promessas que a ciência nunca fez (Foto: Musée Curie, Paris)

    Um dos argumentos mais repetidos por entusiastas é o do efeito piezelétrico, a propriedade de certos cristais, como o quartzo, gerarem uma pequena corrente elétrica quando submetidos a pressão mecânica. O fenômeno é real, bonito e útil: é o princípio por trás dos relógios de quartzo e dos isqueiros. Os irmãos Pierre e Jacques Curie o descobriram em 1880, mas a ciência que explica o funcionamento de um relógio não pode ser esticada para justificar a cura de uma alma. A corrente elétrica gerada por um cristal de quartzo é mínima, localizada e não tem qualquer interação conhecida com a fisiologia humana. Usar o efeito piezelétrico para vender cura é como afirmar que, porque o diamante risca o vidro, ele pode cortar uma doença. Existe a propriedade, falta o vínculo entre ela e o efeito prometido.

    Diante disso, o que fazer, como profissionais do luxo e da gemologia? A resposta não é desprezar o fascínio que as gemas exercem sobre o imaginário humano. Esse fascínio é legítimo, antigo e culturalmente relevante, o problema é quando ele se disfarça de ciência para vender produto.

    Vaso em quartzo rosa, China, Dinastia Qing, século XVIII. Acervo do Metropolitan Museum of Art (doação Heber R. Bishop, 1902). Muito antes da indústria do bem-estar transformar a pedra em promessa, a tradição imperial chinesa já a celebrava por sua beleza pura (Foto:The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Domínio público)

    Nossa responsabilidade, como gemólogos, joalheiros e comunicadores, é distinguir o belo do enganoso. Uma turmalina paraíba não precisa prometer cura para ser desejada: sua cor única, sua raridade geológica e a sua origem brasileira já a tornam extraordinária. Uma alexandrita não precisa supostamente “equilibrar os chakras”: sua capacidade de mudar de cor sob diferentes iluminações já é um fenômeno que encanta cientistas e colecionadores há séculos.

    O verdadeiro “poder” das gemas está na sua composição química, na sua formação ao longo de milhões de anos, na sua escassez e na história que carregam. Está na arte da lapidação, na tradição da joalheria, no significado afetivo que atribuímos a uma peça recebida de herança. Isso é mais do que suficiente e não precisa de pseudociência para ser valioso.

    Disco bi de jade da cultura Liangzhu, China Neolítica, cerca de 2.500 a.C. O fascínio humano pelas pedras preciosas tem mais de quatro milênios e nunca precisou de promessas pseudocientíficas para se justificar (Foto: © Trustees of the British Museum)

    O mercado de luxo que se preze deve se afastar de promessas vazias e abraçar a transparência. O cliente de alta renda é exigente e bem informado: tentar convencê-lo com falsas propriedades energéticas é não apenas antiético, mas desnecessário. As gemas falam por si mesmas, em cores, formas, origens e histórias reais, não precisam de misticismo para brilhar.

    No fim das contas, a diferença entre uma joia e um amuleto é a mesma entre a ciência e a superstição: uma se prova, a outra se acredita. Cabe a nós, gemólogos e joalheiros, que trabalhamos com o que há de mais precioso na Terra, escolher de que lado queremos estar.

    Isabelle von Randow
    Isabelle von Randow
    Gemóloga, perita e pesquisadora. Entre laboratório, feiras e eventos, traduz o que gemas, minerais e joias contam: da extração ao mercado de luxo.

    Sugestões

    Colunistas

    Em clima de Copa: onde comer em São Paulo os sabores dos países favoritos ao título

    Colunistas

    A Copa do Mundo como uma autêntica experiência de luxo

    Colunistas

    Bold Woman Award 2026: entre mulheres, à mesa, brindando conquistas

    Colunistas

    Haircare de luxo se torna território de ciência, performance e longevidade

    Colunistas

    O que está por trás de um restaurante estrelado?

    Colunistas

    Por que a elite francesa escolhe viver escondida na Villa Montmorency

    Colunistas

    A estratégia por trás da volta da Marc Jacobs Beauty

    Colunistas

    O que o anel da Taylor Swift ensina ao mercado de luxo

    Turismo

    Descubra os melhores resorts de bem-estar do mundo

    Beleza

    ISDIN apresenta o protetor solar Fusion Water Magic Alcaraz com foco no público desportista

    Arte e Design

    Descubra o Jardim Eight Tenths: Natureza e Design em Shanghai

    Moda

    Descubra as novas coleções de moda que dstão dominando

    últimas notícias

    Turismo

    Dia Internacional do Yoga: 5 hotéis de luxo que transformam a prática em uma experiência de viagem

    Entrevista

    Testamos o serviço da Vippers: a startup que quer transformar a mobilidade de luxo no Brasil

    Gastronomia

    Air France lança coquetéis exclusivos assinados por um dos maiores mixologistas da França

    Moda

    Louis Vuitton abre os bastidores da Cruise 2027 em novo documentário

    Logo

    Categorias

    • Homepage
    • Negócios
    • Boutique
    • Colunistas
    • Sobre

    Institucional

    • Termos e Condições
    • Política de Privacidade
    • Política de Cookies

    contatos

    • Redação
    • redacao@infoluxo.com
    • Marcella Oliveira – (11) 98815-2992

    • Parcerias comerciais
    • Murilo@infoluxo.com
    • Murilo Ogata – (11) 97125-0808
    • carol@infoluxo.com
    • Carol Laurain – (11) 91444-5151

    Anuncie aqui

    • Fale conosco:
    • (11) 91444-5151
    • carol@infoluxo.com

    Inscreva-se

    Redes sociais

    Facebook
    Instagram
    Linkedin
    Youtube

    Copyright 2025 Info Luxo - Todos os direitos reservados

    0
    • Seu carrinho
    Empty Cart Your Cart is Empty!

    Parece que você ainda não adicionou nenhum item ao seu carrinho.

    Navegar pelos produtos

    Powered by
    ...
    ►
    Necessary cookies enable essential site features like secure log-ins and consent preference adjustments. They do not store personal data.
    None
    ►
    Functional cookies support features like content sharing on social media, collecting feedback, and enabling third-party tools.
    None
    ►
    Analytical cookies track visitor interactions, providing insights on metrics like visitor count, bounce rate, and traffic sources.
    None
    ►
    Advertisement cookies deliver personalized ads based on your previous visits and analyze the effectiveness of ad campaigns.
    None
    ►
    Unclassified cookies are cookies that we are in the process of classifying, together with the providers of individual cookies.
    None
    Powered by

    Cookies

    Nos comprometemos a proteger a privacidade e a segurança dos seus dados pessoais. Todas as informações coletadas por meio de cookies são tratadas conforme a LGPD, garantindo que seus dados sejam utilizados de maneira ética e responsável.
    Aceitar