Numa sala de mulheres que entendem de luxo, a bolsa que todas quiseram tocar, abrir e fotografar foi uma Waiwai Rio
No mundo existem dois tipos de mulheres: as que reparam em bolsas e as que dizem que não reparam. Eu sou do primeiro tipo e nunca fingi o contrário. É uma mania, quase uma brincadeira que desenvolvi para imaginar a história por trás de cada mulher. Algumas pessoas leem a palma da mão. Eu leio bolsas.
Foi por isso que, quando a Manu Berger reuniu as colunistas do Info Luxo para um encontro antes da nossa estreia, eu fiz o que sempre faço. Entrei, sorri, cumprimentei, e meus olhos foram direto para o que cada uma carregava. Afinal, eu estava num lugar em que todas amam e entendem de luxo. Inevitável querer saber o que cada uma tinha escolhido para estar ali.
Naquele dia, a leitura foi farta. Eu cheguei com a minha Bolide. Uma das colunistas estava com uma Jodie, outra com uma Kelly, e confesso que dei aquela segunda olhada. A Manu tinha um evento da Gucci mais tarde e estava com uma Gucci bordada lindíssima. Era uma mesa com muitas décadas de história em cima dela.
Mas, de repente, quando o grupo estava quase completo, a porta se abre e entra a Isabelle, nossa colunista de joias. E começou um alvoroço. A responsável? A bolsa. Sim. Uma Waiwai Rio em formato de telefone. Todas as mulheres queriam ver, tocar, abrir, tirar foto. E não era para menos, aquela bolsa era um acontecimento. Alguém deveria ter filmado a entrada dela.

A Kelly, a Bolide, a Jodie e a Gucci, coitadas, foram deixadas de escanteio por uma marca brasileira.
E eu, já com o olhar de colunista ligado, fiquei pensando no que estava acontecendo ali. Era uma sala cheia de mulheres apaixonadas pelo luxo, gente que entende de savoir faire e sabe a história por trás de cada costura. E a bolsa que mais despertou curiosidade foi justamente a de uma marca brasileira.

Achei isso bonito demais, porque mostra uma coisa que quem vive esse mercado sabe, mas nem sempre diz em voz alta: o preço nunca foi o que faz alguém se apaixonar por uma peça. Quem convive com o luxo de verdade aprende a valorizar outra coisa.
Se a gente olhar para as grandes casas, o que todas têm em comum é a autenticidade. A Hermès fala uma língua que só ela fala. Cada maison criou seus próprios símbolos, códigos que a gente reconhece do outro lado da sala. É isso que separa uma marca de luxo de uma marca qualquer, muito mais do que a etiqueta.
A bolsa da Isabelle tinha exatamente isso. Uma linguagem própria, uma ideia que ninguém tinha tido antes e a coragem de colocar essa ideia no mundo do jeitinho que ela é.

Saí daquele encontro com a minha primeira coluna praticamente escrita e com uma certeza que quero levar para as próximas: nem sempre a bolsa mais cara é a que vira mais pescoços. Às vezes o que encanta as pessoas é ver alguém ousar ser criativo e verdadeiro ao mesmo tempo. E que delícia quando quem faz isso é uma marca nossa.
Prazer, eu sou a Marcela, e a partir de agora a gente conversa sobre bolsas por aqui.

