Oitavo capítulo da série de artistas da Maison chega às lojas em janeiro de 2027, em edições limitadas desenvolvidas junto à fundação do pintor americano
O coração vermelho que corre, o bebê cercado de raios e os bonecos que parecem dançar sobre um contorno preto e grosso agora aparecem em couro, cristal e bordado. A Louis Vuitton revelou o oitavo capítulo da Artycapucines, coleção em que convida artistas a reinterpretar a bolsa Capucines, e desta vez o nome escolhido é o de Keith Haring. São 13 modelos em edição limitada, que começam a chegar às lojas da marca em diferentes países a partir de 1º de janeiro de 2027.

Desde 2019, mais de 35 artistas contemporâneos foram chamados a trabalhar sobre a Capucines, bolsa batizada em referência à Rue Neuve-des-Capucines, endereço parisiense onde Louis Vuitton abriu sua primeira loja, em 1854. Com Haring, que morreu em 1990, o diálogo passa pela Keith Haring Foundation, que cuida do legado do artista e acompanhou de perto o desenvolvimento das peças.

O encontro já tinha sido ensaiado na passarela. Em maio, Nicolas Ghesquière levou personagens e obras de Haring para a coleção feminina Cruise 2027, apresentada no Frick Collection, em Nova York, em roupas e algumas bolsas. A ideia era aproximar a energia da Nova York do centro, onde Haring se formou artisticamente, da Nova York mais tradicional dos bairros ao norte, que o museu representa. As novas Capucines prolongam essa conversa para fora do desfile.

Nascido na Pensilvânia em 1958, Haring ganhou projeção na cena urbana de Manhattan nos anos 1980. Suas figuras simples, de traço rítmico e leitura imediata, circularam do metrô às galerias e ajudaram a apagar a fronteira entre arte de rua e mercado de arte. É esse repertório, de “Running Heart” a “Radiant Baby”, passando por animais e composições gráficas que ocupam toda a superfície, que a Maison transfere para a bolsa.
Cristal, bordado e marchetaria
A Capucines Nano Running Heart virou uma minaudière de metal prateado coberta por mais de 12 mil cristais aplicados à mão, recriando um dos símbolos mais associados ao artista. Na Capucines East-West Mini Maze, o labirinto gráfico de Haring se espalha pela peça inteira por meio de bordado que combina milhares de aplicações com pontos tradicionais.

A Capucines BB Holiday recorre à marchetaria, encaixando couro e peles exóticas para reproduzir uma das cenas de praia do artista. Já a Capucines Mini Symbols transforma os personagens em pingentes coloridos e tridimensionais presos a uma corrente que lembra uma joia. Na Capucines BB Figures, as figuras dançantes aparecem sobre couro Taurillon branco, e o contorno preto típico de Haring passa a desenhar a própria silhueta da bolsa.

A peça com a história mais curiosa é a Capucines MM Genesis. Ela parte de uma mala Louis Vuitton dos anos 1930 que o próprio Haring pintou à mão em 1984, objeto de viagem que acabou se tornando parte da trajetória do artista. A bolsa traz uma pátina acentuada que remete a esse original, e funciona como lembrete de que a relação entre ele e a marca começou décadas antes de qualquer licenciamento.

Com o novo capítulo, a Artycapucines soma mais de 50 criações. A lista inclui os brasileiros Beatriz Milhazes e Vik Muniz, ao lado de Takashi Murakami, Daniel Buren, Urs Fischer, Henry Taylor, Paola Pivi, Park Seo-Bo, Tschabalala Self e Alex Israel, entre outros. A série dá continuidade a uma tradição que a casa cultiva desde as encomendas de Gaston-Louis Vuitton nos anos 1920, e que ganhou escala com parcerias como as de Yayoi Kusama, Sol LeWitt e Richard Prince e com a abertura da Fondation Louis Vuitton, projetada por Frank Gehry, em 2014.

