Endereços que ajudam a explicar por que a cidade se tornou uma das capitais mundiais da gastronomia japonesa fora do Japão
O Brasil abriga a maior comunidade de descendentes de japoneses fora do Japão, com forte concentração no estado de São Paulo. Esse contexto favoreceu o desenvolvimento e a sofisticação da gastronomia japonesa na cidade.
Ainda é comum associar essa culinária apenas a pescados, sushi e sashimi. Mas ela vai muito além: inclui vegetais, pratos quentes, frituras e conservas, revelando uma riqueza técnica e cultural muitas vezes subestimada.
Após visitar alguns dos principais restaurantes da cidade, compartilho aqui a minha seleção pessoal.
Ryo Gastronomia
Liderado pelo itamae Edson Yamashita, com dez anos de formação no Japão e mais de 30 anos de carreira, o Ryo foi o primeiro restaurante japonês no Brasil a conquistar duas estrelas no Guia Michelin, em 2020. Após um período fechado, a casa reabriu e voltou a ser reconhecida, desta vez com uma estrela em 2025.
O omakase equilibra preparações quentes e frias, refletindo a formação do chef, que passou pela cozinha fria em Tóquio e pela cozinha quente em Kyoto. Seu trabalho busca ressaltar o umami, o quinto sabor, criando pratos que trazem profundidade e uma sensação de conforto.
Foi no Ryo que entendi, na prática, o que define um sushi técnico: desde a seleção dos pescados até o corte preciso, passando pelas técnicas que realçam o sabor do peixe, a construção do shari, a cocção e a temperatura do arroz. Cada detalhe influencia diretamente o resultado final.

Murakami
Tsuyoshi Murakami talvez seja o chef japonês mais brasileiro que eu conheço. Jantar em seu restaurante é uma experiência singular. Costumo dizer às pessoas próximas que, para quem busca não apenas excelência gastronômica, mas também leveza e descontração à mesa, este é o omakase ideal. O segredo, no entanto, só se revela na visita.
A casa oferece duas propostas distintas: o menu Murakami, com maior presença de pratos quentes, e o menu de sushi, no qual o shari é preparado na hora. Um dos diferenciais está no uso do vinagre de jerez, influência do período do chef em Barcelona.
Como o próprio Murakami costuma dizer, é preciso criar um diferencial. O restaurante também foi reconhecido com uma estrela no Guia Michelin.

Kuro
Kuro, em japonês, significa preto. A cor se reflete na arquitetura do restaurante, que opera exclusivamente com omakase para apenas dez comensais, divididos em dois turnos, às 19h e 21h30.
O conceito dos pratos é desenvolvido por Gerard Barberan em conjunto com o chef executivo Henry Miyano e sua equipe, traduzindo uma proposta precisa e bem definida.
A casa se destaca também pela hospitalidade japonesa, o omotenashi, presente no cuidado com cada detalhe e na busca constante por proporcionar a melhor experiência possível ao comensal, sob a condução do gerente Istanley.
O percurso do omakase intercala preparações frias e quentes, com destaque para o chawanmushi e a seleção de sushis, que evidencia as diferenças entre os cortes do atum bluefin, como akami, chutoro e otoro, além de incluir iguarias como vieira ou uni.
O Kuro se destaca por uma das cartas de drinks mais interessantes da cidade, com combinações pensadas para acompanhar e ampliar a experiência de cada prato. Também carrega o reconhecimento de uma estrela Michelin.

Kan-Suke
O restaurante japonês que mais se aproxima de uma autêntica casa de sushi em Tóquio, com fachada discreta e quase imperceptível aos olhos de quem passa.
Ali, não há excesso de cerimônia nem tentativas de impressionar por meio de ingredientes ostensivos. O protagonismo está no domínio técnico que o chef Egashira-San imprime em cada etapa do omakase, com destaque para a precisão dos cortes e a qualidade do shari.
O serviço segue um ritmo mais ágil, sem recursos visuais ou encenações pensadas para impacto. No Kan-Suke, a experiência se sustenta na essência: a excelência do pescado e a consistência da execução.
Esse é outro restaurante que também detém uma estrela Michelin.

Shin Zushi
O Shin Zushi, especialmente em seu balcão, figura entre os restaurantes que disputam o título de melhor omakase da cidade, tanto entre os apreciadores da gastronomia japonesa quanto na crítica especializada.
À frente da casa estão os irmãos Ken e Nobu, dois dos principais itamaes do país. Enquanto Ken traz a formação no Japão, Nobu desenvolveu sua trajetória no Brasil, combinação que se reflete em uma cozinha sólida e consistente.
A experiência se destaca pelo omakase, conduzido a partir dos melhores pescados do dia e sustentado por rigor técnico. Ao mesmo tempo, o restaurante mantém um menu à la carte igualmente relevante, com sushis, sashimis e pratos quentes executados com precisão.
O restaurante está classificado na lista de selecionados do Guia Michelin.


