Masterclass para profissionais do setor explicou a geografia da denominação, marcada por vinhedos em altitude, solos diversos e clima de extremos
Poucas regiões da Espanha despertam tanta curiosidade entre colecionadores de tintos quanto a Ribera del Duero, às margens do rio Douro, em Castela e Leão. Pela primeira vez, o Consejo Regulador da denominação organizou eventos próprios no Brasil, com passagens por São Paulo e pelo Rio de Janeiro, pensados para profissionais do setor. O Info Luxo participou da masterclass na capital paulista, que reuniu 13 vinícolas da região e terminou em uma feira com os rótulos apresentados.
A abertura ficou com Pablo Baquera Peironcely, diretor de marketing do Consejo Regulador, que explicou como funciona a região de produção. Os vinhedos estão em altitude elevada, sobre solos muito diversos, e enfrentam um clima de extremos, com verões quentes, invernos rigorosos e noites frias mesmo nos meses de calor. É dessa combinação que vem a estrutura dos vinhos locais, e foi ela que ajudou casas como Vega Sicilia, Tinto Pesquera e Pingus a ganhar projeção internacional a partir da segunda metade do século 20. Para o diretor, a vinda ao Brasil tem um objetivo claro. “A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a Ribera del Duero, aproximar seus produtores de profissionais brasileiros e fortalecer a presença da denominação em um mercado que vem demonstrando crescente interesse por vinhos de origem e identidade reconhecidas”, afirmou Baquera.

Na sequência, o sommelier Vinicius Santiago, único brasileiro certificado como embaixador da D.O., conduziu a degustação. Reconhecida como Denominação de Origem desde 1982, a Ribera del Duero tem hoje cerca de 27,4 mil hectares de vinhedos, 317 vinícolas e quase 5 mil viticultores. A uva que guia quase tudo é a Tempranillo, chamada ali de Tinto Fino ou Tinta del País, que dá origem tanto a tintos jovens, de fruta mais viva, quanto às categorias Crianza, Reserva e Gran Reserva, que passam mais tempo em barrica e garrafa antes de chegar ao mercado e costumam evoluir bem com a guarda.
A região também produz rosés e brancos, estes sobretudo com a Albillo Mayor, uva autóctone de perfil aromático e fresco. Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e Garnacha Tinta aparecem em escala menor, completando o leque de variedades autorizadas.

Depois da aula, a feira abriu espaço para conversas diretas com os produtores. Estavam lá Emilio Moro, Protos, Condado de Haza, Matarromera, Viña Sastre, Dominio de Atauta e Grupo Yllera, ao lado de Bodegas Carramimbre, Félix Callejo, Santa Eulalia, Fernández Rivera, Sei Solo e Viyuela, um recorte que vai de nomes já conhecidos do consumidor brasileiro a vinícolas menos presentes por aqui.
O interesse pelo país tem razão de ser. Em 2025, os vinhos da D.O. cresceram 23,1% em valor no mercado brasileiro, enquanto aumentava também o número de vinícolas da região com distribuição local. Os tintos respondem por cerca de 84% do volume de vinho consumido no Brasil, o que favorece uma denominação construída em torno deles. Na Espanha, segundo a Nielsen, a Ribera del Duero é a D.O. com o maior valor médio por garrafa. Depois de São Paulo, a programação seguiu para o Rio de Janeiro, com o mesmo propósito de apresentar a região a quem decide o que chega às cartas e às prateleiras.

